Fé e Valores

Comissao aprova politica de hip hop nas escolas federais

PL 4.401/25 institui slam, MC, DJ, breakdance e grafite como conteudo da rede publica federal de educacao basica; texto vai as comissoes de Educacao e de Constituicao e Justica

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou na sexta-feira, 14, o projeto que institui a Política Hip Hop nas Escolas na rede pública federal de educação básica. O PL 4.401/25 é de autoria da deputada Camila Jara (PT-MS) e teve parecer favorável da relatora Talíria Petrone (PSOL-RJ).

O texto reconhece como expressões culturais a serem trabalhadas nas escolas o slam, o MC, o DJ, o breakdance e o grafite. O alcance declarado é a rede federal, que reúne os colégios de aplicação, os institutos federais e o Colégio Pedro II, e não as redes estaduais e municipais, responsáveis pela maior parte das matrículas do país.

O que o projeto preve para o curriculo

A proposta não cria disciplina obrigatória nem altera a Base Nacional Comum Curricular. Ela prevê três formatos de implementação, que podem ser combinados pela unidade de ensino:

  • conteúdo transversal interdisciplinar de apoio curricular, distribuído entre matérias já existentes;
  • atividades extracurriculares, como oficinas, mostras artísticas, ciclos formativos e semanas temáticas;
  • parcerias com coletivos culturais locais e organizações da sociedade civil.

A formulação deixa a decisão sobre o formato com a escola. Não há no texto aprovado previsão de carga horária mínima, de contratação de profissionais nem de fonte específica de custeio para as oficinas e parcerias.

O ponto das parcerias é o que mais depende de regulamentação. A contratação de coletivos culturais por instituições federais de ensino passa pelas regras gerais de licitação e de convênio com entidades privadas sem fins lucrativos, o que na prática define quem consegue participar.

O recorte na rede federal também define o tamanho do alcance. A educação básica brasileira é oferecida majoritariamente por municípios, no ensino fundamental, e por estados, no ensino médio. A rede federal de educação básica é pequena em número de matrículas, concentrada em instituições com desempenho acima da média nacional e com estrutura própria de projetos e oficinas. É nesse ambiente que a política valeria.

A escolha tem consequência jurídica. Como a União não pode impor conteúdo às redes estaduais e municipais fora do que já está na Base Nacional Comum Curricular, uma política obrigatória para todo o país exigiria outro desenho legislativo. Restringi-la à rede federal contorna o problema de competência, ao custo de reduzir o número de alunos atingidos.

Como fica a tramitacao

O projeto tramita em caráter conclusivo e segue para as comissões de Educação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se não houver recurso para levar a matéria ao Plenário, a aprovação nessas comissões encerra a fase na Câmara. Depois disso, o texto ainda precisa passar pelo Senado.

A relatoria coube a uma deputada do PSOL e a autoria a uma deputada do PT, o que situa a proposta no campo governista dentro da comissão. O registro divulgado pela Agência Câmara sobre a votação não menciona voto contrário, declaração de voto divergente nem pedido de vista.

O debate sobre inclusão de expressões culturais no currículo costuma se dividir entre dois argumentos. De um lado, a tese de que a escola aproxima o conteúdo do repertório do aluno e reduz evasão. De outro, a objeção de que a multiplicação de temas obrigatórios ou semiobrigatórios disputa espaço com leitura, escrita e matemática, áreas em que os indicadores nacionais de aprendizagem seguem abaixo das metas.

Na etapa seguinte, a Comissão de Educação analisará justamente esse ponto, o encaixe da política no desenho curricular vigente. Não há data marcada para a votação.

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