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Zema diz que ministros transformaram o STF em balcão de negócios

Candidato do Novo foi cobrado sobre a frase das 'frutas podres', disse que não citaria nomes e afirmou que 'todo brasileiro sabe o que acontece' na Corte

O governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta terça-feira, 25, que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) transformaram a Corte em um "balcão de negócios" para tratar de interesses pessoais. A declaração foi dada em sabatina promovida pelo jornal Valor Econômico, pelo jornal O Globo e pela rádio CBN.

O governador foi questionado sobre uma declaração anterior, em que disse haver "pelo menos 3 frutas podres no STF que precisam ser eliminadas". Zema respondeu que não citaria nomes e afirmou que "todo brasileiro sabe o que acontece" no tribunal.

"Todo brasileiro sabe o que acontece", disse Zema ao ser cobrado a identificar os ministros a que se referia.

Segundo o Poder360, que acompanhou a sabatina, o candidato aludiu a episódios já divulgados pela imprensa envolvendo integrantes da Corte, sem nomeá-los: o contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes; os investimentos no Tayayá Aqua Resort, que apareceram em reportagens sobre pessoas ligadas ao ministro Dias Toffoli; e o Fórum Jurídico de Lisboa, evento associado ao ministro Gilmar Mendes. As mesmas referências foram registradas pelo Estado de Minas, pelo Correio Braziliense e pela Gazeta do Povo.

O que Zema disse na sabatina

A crítica ao Supremo apareceu no bloco em que o governador tratou da relação entre os Poderes. Zema defendeu mudanças no funcionamento do Congresso e retomou a agenda de privatizações que já consta do plano de governo entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com reforma da Previdência e venda de estatais.

O programa registrado na Justiça Eleitoral é o documento que baliza o discurso do candidato do Novo desde o início da campanha, com a redução do tamanho do Estado como eixo central. As declarações desta terça deslocam a crítica do desenho institucional para a conduta pessoal de ministros.

Leia também: Plano de Zema no TSE prevê reforma da Previdência e privatizações.

Como a crítica ao Supremo entra na campanha

Zema disputa o Planalto com o senador Eduardo Girão (Novo-CE) como candidato a vice, chapa confirmada na convenção do partido em 4 de agosto. Girão apresentou nesta semana, ao lado do Novo e do próprio Zema, uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), por suposto conflito de interesses no travamento da CPI do Banco Master.

A fala ocorre em um momento em que o Judiciário decide sobre pontos da própria disputa. No TSE, o ministro André Mendonça é relator de representações que envolvem as duas principais candidaturas de oposição e o governo, e a Corte discute a definição do que é conteúdo produzido por inteligência artificial na propaganda eleitoral.

O governador mineiro está licenciado do cargo desde o início do período eleitoral. Ele lidera a arrecadação declarada entre os presidenciáveis na primeira semana de campanha, com R$ 2,7 milhões informados ao sistema DivulgaCandContas, segundo levantamento publicado em 22 de agosto.

O Supremo é formado por 11 ministros indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado, com mandato até os 75 anos. A Constituição prevê a perda do cargo apenas por crime de responsabilidade julgado pelo Senado, procedimento que nunca resultou em condenação de ministro da Corte. Pedidos de impeachment protocolados contra integrantes do tribunal costumam ser arquivados pela presidência da Casa sem votação em plenário.

Não houve manifestação do STF nem dos ministros a que as reportagens associam as declarações. O Poder360 e a Gazeta do Povo, que publicaram a sabatina, também não registraram resposta da Corte.

A sabatina integra a série de entrevistas que os três veículos promovem com os presidenciáveis antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Zema desistiu de participar do debate da Band em 23 de agosto e atribuiu a decisão à ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de outros candidatos.

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