Eleições 2026

Candidaturas indígenas somam 191 em 2026 e batem recorde histórico

Levantamento da Apib com base em registros do TSE aponta crescimento de 125% em doze anos; Amazônia Legal concentra 42% do total

As eleições de 2026 registraram 191 candidaturas de pessoas que se autodeclararam indígenas, o maior número desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a incluir dados de cor e raça nos registros de candidatura, em 2014. O levantamento é da Campanha Indígena, iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), e usa como base os registros do próprio TSE.

O total representa alta de 125% em doze anos. Em 2014, foram 85 candidaturas indígenas. O número subiu para 133 em 2018 e chegou a 186 em 2022, antes dos 191 deste ano.

Das candidaturas registradas em 2026, 84 são de mulheres, o equivalente a 43,8% do total. No mesmo período de doze anos, o número de candidatas indígenas cresceu cerca de 190%, ritmo superior ao do conjunto.

Onde estão os candidatos

Os candidatos vêm de 26 das 27 unidades da federação e dos seis grandes biomas brasileiros. A Amazônia Legal concentra 80 das 191 candidaturas, ou 42% do total.

Segundo os dados disponíveis no TSE, os candidatos pertencem a 64 etnias diferentes. O povo Macuxi, de Roraima, tem 13 candidaturas, o maior número entre as etnias. Em seguida aparecem os Guarani Kaiowá, com 12 candidaturas em Mato Grosso do Sul.

O dado vem da autodeclaração

O registro de cor e raça no sistema do TSE é feito por autodeclaração do candidato no momento do pedido de registro. É o mesmo critério aplicado às demais categorias divulgadas nesta eleição, como as candidaturas de pretos e pardos e as candidaturas femininas.

O recorte de 2026 se soma a outros levantamentos sobre o perfil das candidaturas já apresentados neste ciclo eleitoral, todos extraídos da mesma base de registro. A consolidação definitiva depende do julgamento dos pedidos de registro pela Justiça Eleitoral, etapa em que candidaturas podem ser indeferidas.

O recorte se soma a outros do mesmo ciclo

O número de candidaturas indígenas entra em uma sequência de recortes extraídos da base de registro desta eleição. Pelos cálculos do TSE, mulheres respondem por 34,85% das candidaturas de 2026 e pessoas pretas e pardas, por 49,9%. Levantamento da organização Plena Cidadania apontou 514 candidaturas LGBT+, alta de 57% em relação a 2022.

Os dados de cor, raça e gênero passaram a ter peso concreto na disputa desde que o Supremo Tribunal Federal e o TSE fixaram a obrigação de os partidos destinarem parcelas mínimas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda a candidaturas de mulheres e de pessoas negras. Não há, na legislação eleitoral, regra equivalente de reserva de recursos para candidaturas indígenas.

Na prática, isso significa que o crescimento registrado pela Apib se deu sem o mecanismo de indução financeira que existe para as outras duas categorias. A conversão desse número em cadeiras depende da distribuição das candidaturas entre estados e legendas e do desempenho de cada partido no quociente eleitoral.

O total de 191 é o de pedidos registrados. A Justiça Eleitoral ainda julga os requerimentos, e candidaturas podem ser indeferidas por pendências de documentação, de prestação de contas anterior ou por inelegibilidade.

A série histórica começa em 2014 porque foi nessa eleição que o TSE passou a coletar cor e raça no formulário de registro. Antes disso não havia base oficial para medir o número de candidaturas indígenas, o que impede comparação com pleitos anteriores.

A dispersão dos 191 nomes por 64 etnias e 26 unidades da federação indica candidaturas pulverizadas entre legendas e estados. A concentração maior aparece em dois casos: Macuxi, em Roraima, e Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, dois territórios com disputas fundiárias de longa duração e presença indígena expressiva na população local.

Leia também: Mulheres são 34,85% das candidaturas de 2026, aponta cálculo do TSE.

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