Zema convoca ato em Brasília no dia do julgamento sobre Moraes
Manifestação marcada para as 9h de 15 de setembro, uma hora antes da sessão do STF; local ainda não foi definido
O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, convocou nesta quarta-feira, 9, uma manifestação em Brasília para o dia 15 de setembro, data em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julga o pedido para autorizar a abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. A convocação foi feita pelas redes sociais.
O ato está marcado para as 9h, uma hora antes do início do julgamento. O local ainda não foi definido, segundo a assessoria do candidato.
Zema deixou o governo de Minas Gerais em 22 de março para disputar o Planalto, cumprindo o prazo de desincompatibilização exigido de quem ocupa cargo no Executivo. O vice, Mateus Simões (PSD), assumiu o governo mineiro.
Nas publicações, o candidato pediu presença física dos apoiadores e tratou a data como um marco.
"Precisamos da sua presença para pressionar esse dia que pode marcar a vitória dos brasileiros contra os intocáveis", escreveu Zema.
Em outro trecho, ele descreveu o julgamento como "o início do fim dos intocáveis" e afirmou que a disputa deixou de ser ideológica: "Não é mais esquerda contra direita. São os brasileiros contra um intocável".
O que o STF julga em 15 de setembro
O tribunal analisa se autoriza a abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes. O pedido se apoia em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apreendido no curso de outra apuração.
O julgamento está marcado para as 10h. Autorizar a investigação não implica abertura de processo nem juízo sobre a conduta do ministro: é a etapa em que o tribunal decide se há elementos mínimos para que a apuração formal comece.
Moraes não se manifestou publicamente sobre a convocação do ato. O STF também não emitiu nota sobre a manifestação até esta publicação.
Manifestação em ano eleitoral
A convocação ocorre a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e parte de um candidato registrado à Presidência. Atos com participação de candidato em período de campanha estão sujeitos às regras da legislação eleitoral sobre propaganda e sobre uso de recursos.
Zema construiu boa parte da campanha em torno da crítica ao Supremo. Em agosto, disse que ministros transformaram o tribunal em "balcão de negócios", publicou uma série de vídeos satirizando a corte e desistiu de participar do debate da Band. O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral prevê reforma da Previdência e privatização de estatais.
Até esta publicação, não havia registro público de adesão formal de outros candidatos à Presidência ao ato de 15 de setembro. Nem o Palácio do Planalto nem a Presidência do STF se pronunciaram sobre a convocação.
Manifestações na Esplanada dos Ministérios dependem de comunicação prévia às forças de segurança do Distrito Federal, que definem o esquema de isolamento da Praça dos Três Poderes em dias de julgamento. Sem local definido, ainda não há informação sobre o dispositivo de segurança previsto para a data.
O nome de Daniel Vorcaro voltou ao noticiário nos dois dias que antecederam a convocação. Na quarta-feira, 9, o ministro André Mendonça homologou a delação de um empresário que se declarou responsável por repasses do fundador do Banco Master ao financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Nesta quinta, 10, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão sobre o mesmo financiamento, por autorização do ministro Flávio Dino.
São frentes distintas da que será julgada em 15 de setembro, mas todas se apoiam em material ligado ao empresário. É esse conjunto que colocou o celular apreendido de Vorcaro no centro da disputa jurídica do semestre no Supremo.
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