Eleições 2026

Ximbinha declara não ter bens ao registrar candidatura a deputado federal

Fundador da Banda Calypso concorre pelo PDT no Pará e informou patrimônio zerado ao Tribunal Superior Eleitoral, segundo os dados do registro de candidaturas

O guitarrista Ximbinha, fundador da Banda Calypso, declarou não possuir bens ao registrar candidatura a deputado federal pelo Pará, segundo os dados do registro de candidaturas de 2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele concorre pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) e anunciou a disputa na sexta-feira, 7.

No formulário do registro, o músico, de 52 anos, declarou-se de cor branca e informou não ter concluído o ensino fundamental. A ficha não traz nenhum bem declarado, o que corresponde a patrimônio zerado na base do tribunal.

Ximbinha havia se filiado ao União Brasil em 2025 e trocou de legenda neste ano para disputar a vaga pelo PDT. A Banda Calypso, que ele fundou com Joelma, foi um dos maiores fenômenos comerciais da música brasileira nos anos 2000, com circuito de shows nacional e vendagem em escala de disco físico.

O que a declaração de bens significa

A declaração de bens é obrigatória no pedido de registro e alimenta a base pública do TSE, aberta a qualquer eleitor. O documento informa o patrimônio no momento do registro e serve de referência para a comparação ao fim do mandato, caso o candidato seja eleito. É por esse cruzamento que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público acompanham a evolução patrimonial de quem exerce cargo público.

Declarar patrimônio zerado não impede a candidatura nem configura irregularidade por si só. Bens em nome de empresa, de cônjuge ou em processo de partilha não entram na ficha individual, e há candidatos que efetivamente não têm patrimônio registrado. O dado passa a ser relevante quando confrontado com a movimentação financeira da campanha e com a declaração apresentada em pleitos seguintes.

No caso de um artista com décadas de carreira e circuito nacional de shows, a ficha zerada chama atenção porque contrasta com a atividade econômica conhecida. A verificação, quando existe, cabe à Justiça Eleitoral na análise do registro e, depois, aos órgãos de controle.

Ele não é o único caso entre nomes conhecidos

O levantamento das fichas de registro publicado pelo jornal O Tempo aponta declarações de patrimônio zerado também de Thiago Gagliasso e de Inês Brasil, enquanto Val Marchiori declarou R$ 49 milhões. A distância entre os extremos aparece na mesma safra de candidaturas de pessoas com projeção fora da política.

Candidatura de artista e de personalidade de internet virou rotina nas eleições proporcionais porque o reconhecimento de nome substitui parte do trabalho de construção de imagem que um candidato estreante precisaria fazer do zero. O partido ganha voto de legenda e tempo de exposição; o candidato entra na disputa com a fatia mais cara da campanha já resolvida.

  • Candidato: Ximbinha, fundador da Banda Calypso, 52 anos
  • Cargo: deputado federal pelo Pará
  • Partido: PDT, após passagem pelo União Brasil em 2025
  • Bens declarados: nenhum
  • Escolaridade informada: ensino fundamental incompleto
  • Anúncio da candidatura: sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Os pedidos de registro são analisados pela Justiça Eleitoral depois do envio pelos partidos, e o eleitor só tem a lista definitiva de concorrentes após o julgamento. Até lá, os nomes constam como candidatos com registro solicitado.

A reportagem não localizou manifestação do candidato ou do PDT do Pará sobre a declaração de bens. O partido e o músico podem apresentar esclarecimentos durante a análise do registro pela Justiça Eleitoral.

Leia também: a cobertura das eleições de 2026 no Resenhando.

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