Eleições 2026

Robério Negreiros dobra no espontâneo e encosta nos líderes da disputa pela Câmara Legislativa do DF

Deputado do Podemos saiu de 0,7% para 1,6% de uma rodada para a outra e, pela margem de erro da pesquisa Correio/Opinião, está tecnicamente empatado com os primeiros colocados

Dobrar de tamanho em pouco mais de três semanas, numa pergunta em que o eleitor não recebe lista nenhuma para consultar, é o tipo de movimento que campanha nenhuma compra. Foi o que o deputado distrital Robério Negreiros (Podemos) fez na rodada do levantamento Correio/Opinião Inteligência Política divulgada no Distrito Federal nesta quinta-feira (3/9).

O parlamentar marcava 0,7% na medição de agosto. Agora aparece com 1,6%, na quarta posição entre os nomes que o eleitorado da capital cita de memória para a Câmara Legislativa — e passou por adversários que estavam acima dele.

Pela margem de erro, ele está na briga do topo

Os primeiros colocados da rodada, segundo o Correio Braziliense, são dois nomes com 2,1% cada: a distrital Jaqueline Silva (MDB) e o petista Chico Vigilante. A pesquisa trabalha com margem de erro de três pontos percentuais. Como a distância entre 2,1% e 1,6% é de meio ponto, o deputado do Podemos está estatisticamente empatado com quem lidera. Falar em vantagem consolidada de alguém nesse patamar seria forçar o dado; o que se pode afirmar com segurança é a direção do movimento de cada candidatura. E a direção dele é uma só.

  • Levantamento da Opinião Inteligência Política, encomendado pelo Correio Braziliense
  • Protocolo de registro eleitoral: DF-04936/2026
  • 1.121 eleitores ouvidos cara a cara, sem telefone nem painel on-line
  • Trabalho de campo em 31 das 33 cidades do Distrito Federal
  • Erro amostral de três pontos, nas duas direções, com 95% de confiança

O teste mais duro da pesquisa eleitoral

Vale explicar por que esse indicador pesa mais do que parece. Na pergunta espontânea o entrevistador não mostra nome algum: quem responde tem de lembrar sozinho. Em disputa proporcional, com centenas de postulantes brigando por 24 cadeiras, é o mais difícil dos testes — e o menos suscetível a inflação artificial, porque não há lista para o eleitor apontar por reconhecimento vago.

É a diferença entre ser reconhecido e ser lembrado. Na pesquisa estimulada, os índices sobem para quase todo mundo, porque a memória do entrevistado recebe ajuda. Avançar nessa pergunta é sinal de que o político já entrou na conversa espontânea das pessoas — almoço de domingo, grupo do prédio, roda de trabalho — sem que ninguém tenha precisado lembrá-las de que ele existe.

O que sustenta o crescimento

Há substância por trás do número. Robério Negreiros acumula 103 leis sancionadas ao longo dos mandatos na Câmara Legislativa, com forte concentração numa pauta específica: 21 delas cuidam de autismo e de direitos de quem tem deficiência — uma em cada cinco. Carteira de identificação para autistas, fim da exigência de renovação de laudo, transporte acessível, proibição de sobretaxa escolar. É legislação que muda a rotina de família que não costuma ter voz no Legislativo.

No orçamento, o mandato dele destinou R$ 159,7 milhões em emendas efetivamente pagas entre 2016 e 2026, com a maior fatia dirigida à área de trabalho e geração de renda.

Some-se a isso a agenda de rua. A campanha, que leva o número 20.000, cumpre roteiro semanal pelas cidades do DF, longe do eixo central, com paradas em feiras permanentes, quadras residenciais e sedes de associação comunitária. As imagens das últimas semanas mostram aglomeração de apoiadores pedindo foto — método antigo, e ainda o mais eficaz para produzir lembrança de nome.

A lição que serve para além do DF

Eleição proporcional costuma premiar quem tem duas coisas ao mesmo tempo: entrega verificável e presença física constante. Candidato que só aparece em setembro disputa atenção; quem manteve base ativa entre um pleito e outro disputa voto. A rodada desta quinta mostra um caso da segunda categoria.

A reta final ainda reserva o horário eleitoral gratuito e as duas semanas em que boa parte do eleitorado do DF finalmente fecha o voto para distrital — o cargo que o brasiliense decide por último. Chegar a esse trecho em curva de alta é vantagem de partida.

Veja ainda o editorial desta quinta: Tapetão é a palavra errada.

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