PRD e Solidariedade decidem ficar neutros na eleição presidencial
Federação Renovação Solidária não apoia nenhum candidato e libera diretórios estaduais para montar as próprias alianças
A Federação Renovação Solidária, formada pelo Partido da Renovação Democrática (PRD) e pelo Solidariedade, decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência da República nas eleições deste ano. A deliberação foi tomada na convenção nacional da federação, realizada nesta quarta-feira, 5, último dia do prazo legal para os partidos realizarem seus encontros e definirem candidaturas.
A convenção também liberou os diretórios estaduais para formarem as alianças que considerarem mais adequadas em cada unidade da Federação. Na prática, um estado pode compor com o campo do governo e o vizinho com a oposição, sem que isso contrarie a orientação nacional.
Em nota, a federação afirmou que a decisão "reafirma o respeito à autonomia de seus dirigentes, parlamentares, mandatários" na construção política. A justificativa apresentada foi o cenário de intensa polarização política no país.
O que a decisão muda nos palanques
A neutralidade da federação retira do tabuleiro presidencial uma legenda com bancada própria na Câmara e com tempo de propaganda no rádio e na televisão. Federações partidárias funcionam como um partido só para efeito de atuação parlamentar e de distribuição de tempo de propaganda, e o cálculo do horário eleitoral leva em conta o tamanho da bancada eleita para a Câmara dos Deputados.
Sem indicar apoio nacional, a federação não entrega esse tempo a nenhuma campanha presidencial. A distribuição do horário entre os candidatos ao Planalto é definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir das coligações formalizadas no registro de candidatura.
A decisão preserva o que mais interessa a partidos desse porte: a liberdade de cada diretório para negociar palanque estadual, tempo de televisão local e espaço nas chapas proporcionais, sem carregar o custo de estar amarrado a um candidato presidencial rejeitado na região.
O prazo das convenções
O calendário eleitoral de 2026 fixou o encerramento do período de convenções na data em que a federação se reuniu. A partir daí, os partidos passam à fase de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, quando as coligações majoritárias ficam formalizadas e deixam de admitir mudança.
A eleição está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
O PRD nasceu da fusão entre PTB e Patriota, aprovada pelo TSE em 2023. O Solidariedade, presidido por Paulinho da Força, tem base sindical e histórico de aproximação com o centro do Congresso. A federação entre os dois foi registrada para valer no ciclo eleitoral atual, com duração mínima de quatro anos, prazo em que os partidos ficam obrigados a atuar em conjunto.