Eleições 2026

Mobiliza retira Cabo Daciolo da disputa e desiste de candidatura à Presidência

Partido afirma que nunca confirmou candidatura própria e que as declarações do ex-deputado foram iniciativa pessoal

O Mobiliza decidiu nesta terça-feira, 4, retirar o ex-deputado federal Cabo Daciolo da disputa presidencial e anunciou que não terá candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026. A decisão encerra a pré-candidatura que o próprio Daciolo vinha anunciando desde abril, quando se filiou à legenda.

Em nota, o partido afirmou que "em nenhum momento confirmou oficialmente uma candidatura presidencial própria". Segundo a legenda, as manifestações públicas de Daciolo partiram de iniciativa dele e não representavam posição institucional do Mobiliza.

Horas antes do anúncio, o ex-parlamentar publicou um vídeo no Instagram no qual classificou a decisão como uma "decepção muito grande". A postagem foi apagada em seguida. Daciolo não deu entrevista sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

Quatro meses entre o anúncio e a desistência

Daciolo se filiou ao Mobiliza em abril de 2026 e, no mesmo ato, anunciou que disputaria a Presidência. Desde então, manteve a pré-campanha ativa nas redes sociais, canal que sempre concentrou a comunicação dele com a base de apoiadores.

O ex-deputado é bombeiro militar de carreira, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro e disputou a Presidência em 2018, quando ficou conhecido pelo desempenho nos debates televisivos e pelo discurso religioso. Naquela eleição, terminou fora do segundo turno.

A retirada da candidatura muda pouco o quadro nacional em número de votos, mas retira do tabuleiro mais um nome do campo conservador em uma eleição em que a direita discute concentração de apoio. Partidos menores têm enfrentado dificuldade para viabilizar candidatura própria por causa do custo de campanha e da cláusula de desempenho.

O calendário que aperta as legendas

As convenções partidárias para escolha de candidatos ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto, prazo definido pela legislação eleitoral. Quem não formalizar a escolha em convenção nesse intervalo fica fora da disputa, o que explica a concentração de definições nesta semana.

O registro das candidaturas precisa ser apresentado à Justiça Eleitoral até 15 de agosto, com a documentação exigida pelo Tribunal Superior Eleitoral. Sem convenção e sem registro, não há candidatura, ainda que o pré-candidato tenha feito campanha por meses.

A decisão de não lançar candidato próprio à Presidência tem consequência prática para a legenda. Sem cabeça de chapa nacional, o partido concentra estrutura e tempo nos palanques estaduais e nas disputas proporcionais, onde a chance de eleger representante é maior para siglas pequenas.

Também muda o cálculo de quem depende de exposição nacional. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão é distribuído conforme critérios definidos pela legislação, e a ausência de candidatura presidencial retira da legenda a vitrine que costuma alavancar candidaturas a deputado.

Procurado, o Mobiliza não detalhou se apoiará outro nome na disputa presidencial. A legenda também não informou se Daciolo permanecerá filiado ou se poderá concorrer a outro cargo neste ciclo.

Leia também: a cobertura das convenções e das pré-candidaturas de 2026.

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