Malafaia e Sebastião Coelho trocam ataques na disputa do Senado no DF
Pastor defendeu Michelle Bolsonaro e Bia Kicis e alertou para a divisão da direita; o ex-desembargador respondeu que não segue ordens de Bolsonaro
O pastor Silas Malafaia e o ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo), candidato ao Senado pelo Distrito Federal, trocaram acusações públicas na quarta-feira, 19, na disputa pelas duas vagas de senador em jogo na capital. A troca começou com um vídeo em que Malafaia defendeu as candidaturas de Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) e alertou para o risco de divisão do eleitorado de direita.
Na gravação divulgada na terça-feira, 18, o pastor tratou a fragmentação como ameaça direta ao resultado. "São duas vagas para o Senado. Se a direita for dividida, vai eleger alguém da esquerda", disse. Malafaia acrescentou que "não adianta alguém chegar agora dizendo que é da direita, que é bolsonarista, que apoia Bolsonaro, se não obedece a orientação dele", sem citar nomes de outros candidatos.
A resposta de Sebastião Coelho
Coelho tomou a fala como referência a ele e cobrou que o pastor fosse explícito. "Sou aliado de Jair Bolsonaro, mas não sigo ordens de Jair Bolsonaro", afirmou. O ex-desembargador acrescentou: "Você pensa que é o dono da verdade, Silas? A população de Brasília vai definir quem são os dois senadores, no dia 4 de outubro. Seja um pouquinho mais corajoso."
Malafaia respondeu na quarta-feira, 19, em novo vídeo, no qual comparou o ex-desembargador a Pablo Marçal. "Claro que você não é igual, você é pior do que ele", disse. O pastor também afirmou que Coelho "se utiliza de uma peça criminosa para me atingir" e que o candidato lança mão "daquilo que é mais nojento de falta de caráter". As declarações dos dois lados foram divulgadas pela coluna Grande Angular, do Metrópoles.
O que está em disputa no DF
O Distrito Federal renova duas cadeiras no Senado nesta eleição, em votação marcada para 4 de outubro. O eleitor pode votar em dois nomes, e as duas vagas vão para os mais votados, sem segundo turno.
- Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama, que concentra a campanha no DF.
- Bia Kicis (PL), deputada federal, oficializada pelo partido na convenção.
- Sebastião Coelho (Novo), ex-desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
O argumento de Malafaia parte de uma leitura aritmética da regra: com duas vagas e voto múltiplo, candidatos que disputam o mesmo eleitorado dividem votos que poderiam se concentrar em uma chapa única. A resposta de Coelho recusa o enquadramento e devolve a decisão ao eleitor.
Michelle Bolsonaro e Bia Kicis não aparecem na troca de declarações. O PL oficializou as duas candidaturas ao Senado pelo DF em convenção, com Kicis confirmada primeiro e Michelle ocupando a segunda vaga da chapa.
Malafaia é um dos principais articuladores do campo bolsonarista e tem feito intervenções frequentes na definição de candidaturas em 2026. Coelho se apresenta como aliado de Jair Bolsonaro sem vínculo com o PL, e sustenta autonomia em relação às orientações do ex-presidente. No DF, o número de candidatos que se apresentam ao mesmo eleitorado é maior que o número de vagas em disputa.
A troca de acusações ocorre em uma semana movimentada para o pastor. No dia 18, o Supremo Tribunal Federal abriu ação penal contra Malafaia por injúria ao Alto Comando do Exército. No dia seguinte, ele informou que não organizará o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, tarefa que assumiu em edições anteriores.
Michelle concentra a agenda de campanha no próprio Distrito Federal. O primeiro ato de rua dela foi em Ceilândia, no dia 16, quando pediu votos para Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Bia Kicis foi oficializada pelo partido na convenção que definiu as duas vagas da chapa no Senado.
A disputa pelo Senado no DF é uma das poucas em que o campo bolsonarista concentra mais de uma candidatura competitiva para as mesmas duas vagas. O eleitor decide em 4 de outubro, e não há segundo turno para o cargo.