Candidaturas LGBT+ chegam a 514 e crescem 57% em relação a 2022
Levantamento do Instituto Plena Cidadania cruza registros do TSE com a plataforma VoteLGBT; alta é maior fora do eixo Sul-Sudeste
O número de candidaturas de pessoas LGBT+ registradas para as eleições de 2026 chegou a 514, alta de 57% em relação a 2022, segundo levantamento do Instituto Plena Cidadania divulgado na terça-feira, 18. A entidade, que trabalha com projetos de democracia, cidadania e direitos humanos, cruzou os registros publicados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a base da plataforma VoteLGBT.
Proporcionalmente, a participação mais que dobrou. Em 2022, havia uma candidatura LGBT+ para cada 90 registros; neste ano, a proporção é de uma para cada 40. Em percentual, o grupo saiu de 1,12% para 2,5% do total de candidaturas do país.
Como o levantamento foi feito
O dado não é uma estatística oficial do tribunal. Conforme a descrição do próprio estudo, entram na conta apenas as candidaturas autodeclaradas que autorizaram a divulgação da informação, o que estabelece um piso: quem se declarou à plataforma sem liberar a publicação, ou quem não se declarou, fica fora do número.
A metodologia também explica parte do crescimento medido. Uma base construída por autodeclaração tende a crescer conforme a plataforma que a coleta ganha alcance entre candidatos e partidos, movimento que se soma à variação real do número de registros.
Onde o crescimento foi maior
Por cargo, o avanço mais forte está na disputa pela Câmara dos Deputados. As candidaturas a deputado federal saíram de 116 na eleição passada para 214 neste ano, alta de 84%. Nas assembleias legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o crescimento foi de 36%, de 205 para 279 registros.
A dispersão partidária também mudou. Em 2022, essas candidaturas estavam em 23 dos 32 partidos que disputaram a eleição. Neste ano, aparecem em 27 das 30 legendas em disputa, o que indica presença em quase todo o quadro partidário, e não apenas nas siglas que historicamente pautam o tema.
O avanço se concentrou fora do eixo Sul-Sudeste. A Região Norte teve a maior alta relativa, de 141%, saindo de 22 para 53 candidaturas. O Centro-Oeste cresceu 88%, de 41 para 77. O Nordeste subiu 82%, de 73 para 133.
Em números absolutos, porém, o Sudeste segue na frente, com 161 candidaturas. A distribuição mostra que o crescimento percentual das regiões menores parte de bases pequenas, o que amplia a variação sem alterar a hierarquia entre as regiões.
- Norte: de 22 para 53 candidaturas, alta de 141%
- Centro-Oeste: de 41 para 77, alta de 88%
- Nordeste: de 73 para 133, alta de 82%
- Sudeste: 161 candidaturas, maior número absoluto do país
A comparação com o total nacional ajuda a dimensionar o número. O registro de candidaturas deste ano fechou com 20.501 nomes, queda de 30% em relação a 2022. Como o denominador encolheu e o grupo medido cresceu, o salto proporcional de 1,12% para 2,5% acumula os dois movimentos: mais candidaturas autodeclaradas de um lado, menos candidaturas no total do outro.
O detalhe metodológico não anula o crescimento, que também aparece em número absoluto e nas contas por cargo, mas separa o que é aumento do grupo do que é efeito da retração geral do número de candidatos. Nas comparações por cargo, em que as bases dos dois períodos são equivalentes, o avanço fica mais direto: a alta de 84% entre os candidatos a deputado federal não depende do tamanho do universo eleitoral.
O levantamento aponta ainda que as candidaturas aparecem em legendas de todo o espectro político, incluindo partidos de direita. A pesquisa não informa quantas dessas candidaturas foram lançadas com apoio formal das direções partidárias e quantas partiram de iniciativa individual do candidato.
O registro de candidaturas para as eleições deste ano foi encerrado em 15 de agosto. O quadro nacional fechou com 20.501 nomes, queda de 30% em relação a 2022, o que faz com que a participação proporcional do grupo aumente mesmo com o total de candidatos em retração.