Eleições 2026

Lula tira Sidônio do comando diário da campanha e o mantém na Secom

Segundo apuração da Gazeta do Povo, publicitário Raul Rabelo assume a coordenação de marketing ao lado de Chico Kertész e do ex-número dois da Secom

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afastou o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, do comando do dia a dia de sua campanha à reeleição, mantendo-o formalmente apenas no cargo de ministro. A informação foi publicada nesta segunda-feira, 10, pela Gazeta do Povo, com base em fontes ouvidas pelo jornal.

Pela decisão descrita na reportagem, a coordenação de marketing da campanha passa a Raul Rabelo, sócio de Sidônio, que atuará ao lado do publicitário Chico Kertész e de Tiago Cesar dos Santos, ex-número dois da Secom. Sidônio comandou a comunicação da campanha que reelegeu Lula em 2022 e é apontado como um dos auxiliares de maior influência no governo.

O afastamento não é acompanhado de saída do ministério. Segundo a apuração, Lula optou por preservar o cargo formal e retirar do ministro a condução cotidiana da propaganda eleitoral, área que concentra as decisões sobre tom, peças e aparições do presidente no horário eleitoral gratuito.

Os motivos apontados na apuração

A reportagem atribui a decisão a três fatores combinados. O primeiro é o desgaste na relação com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, que deixou o posto depois de vir a público que havia recebido recursos de uma empresária ligada a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O episódio apontado como determinante foi uma discussão entre Sidônio e Marcola diante do presidente. Lula criticou o tom considerado leve de uma peça publicitária da Secom, e Marcola endossou a crítica, o que gerou o confronto e exigiu a intervenção do próprio presidente.

Os outros dois fatores citados são a crise que atingiu Lulinha e as investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a Gazeta do Povo, a Polícia Federal busca esclarecer a eventual relação do filho do presidente com o grupo investigado, por meio de sua ligação com a empresária Roberta Luchsinger. Não há, até o momento, imputação formal a Lulinha nesse inquérito.

O que ainda não está confirmado

A troca no comando da comunicação da campanha não foi anunciada oficialmente. A reportagem que revelou a decisão se apoia em fontes não identificadas e registra que não houve manifestação da Secom nem do Palácio do Planalto sobre o assunto. Também não há ato publicado que formalize a nova estrutura de coordenação.

A mudança ocorre a menos de dois meses do primeiro turno e no período em que as campanhas definem a estratégia para o horário eleitoral gratuito, cuja veiculação obedece ao calendário fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral. A propaganda em rádio e televisão é o principal instrumento de exposição dos candidatos à Presidência, e o desenho da equipe que a produz costuma ser uma das primeiras decisões consolidadas antes do início das inserções.

Sidônio assumiu a Secom em janeiro de 2025, em substituição a Paulo Pimenta, com a missão declarada de recuperar a comunicação do governo após queda de popularidade. A pasta responde pela publicidade institucional do Executivo federal, atividade distinta da propaganda eleitoral, que é custeada e conduzida pela campanha.

A separação entre as duas frentes não é apenas administrativa. A Lei das Eleições veda a publicidade institucional de órgãos públicos nos três meses que antecedem o pleito, com exceções que dependem de autorização da Justiça Eleitoral. Na prática, o período em que a campanha mais precisa de comunicação é justamente aquele em que a máquina da Secom fica impedida de divulgar realizações de governo.

É esse desenho que torna a coordenação de marketing da campanha o posto decisivo da reta final. Quem ocupa a função define o que entra no horário eleitoral gratuito em rádio e televisão, qual imagem do candidato é reforçada e como a campanha responde às crises que aparecem no meio do caminho. A troca comunicada nesta segunda-feira redistribui essa atribuição entre três nomes, sem que nenhum deles concentre sozinho o que Sidônio acumulava em 2022.

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