Quaest: 20% dos eleitores decidem o voto para presidente na última semana
Levantamento com 2.004 entrevistados mostra que 10% escolhem no próprio dia da votação e que a indefinição é maior nas disputas ao Senado
Um em cada cinco eleitores só define em quem vota para presidente na semana da eleição. É o que aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira, 11 de agosto: 20% dos entrevistados afirmam decidir o voto presidencial na última semana, e 10% escolhem no próprio dia da votação.
Na outra ponta, 58% dizem definir o candidato à Presidência meses antes do pleito. É o percentual mais alto entre os três cargos medidos, o que confirma a disputa presidencial como a mais cristalizada do calendário.
Quanto mais baixo o cargo, maior a indecisão
Para governador, 44% decidem com meses de antecedência, 25% deixam a escolha para a semana final e 11% resolvem no dia. Nas disputas ao Senado, a indefinição é ainda maior: 32% dizem decidir na última semana e 14% no dia da votação.
O recorte por preferência política mostra o mesmo padrão. Entre eleitores que se declaram lulistas e entre os que se declaram bolsonaristas, 69% definem o voto presidencial meses antes. Entre os independentes, esse índice cai para 41%, e 29% só decidem na semana final, com 14% escolhendo no dia.
Por gênero, 21% das mulheres e 16% dos homens deixam a escolha presidencial para os últimos dias. Por idade, a decisão de última hora aparece em 18% na faixa de 16 a 34 anos, em 20% entre 35 e 59 anos e em 20% entre os de 60 anos ou mais, com o maior índice de escolha no dia da votação nesse último grupo, 12%.
Regionalmente, o Centro-Oeste e o Norte registram o maior percentual de decisão tardia para presidente, com 24% na última semana. Vêm em seguida o Nordeste, com 20%, o Sul, com 18%, e o Sudeste, com 17%.
O que o dado significa para a reta final
O número delimita o tamanho do eleitorado que ainda está em jogo quando a campanha entra na semana derradeira, quando se concentram os últimos debates, a maior parte do investimento em propaganda e o esforço de mobilização das militâncias. Entre presidente, governador e Senado, é a disputa pelo Senado que apresenta a maior fatia de eleitores móveis.
A pesquisa não mede intenção de voto neste recorte, e sim o momento da decisão. Ela não permite projetar resultado nem inferir para qual candidato o eleitor indeciso deve migrar.
Há um efeito prático na leitura desses percentuais. Pesquisas divulgadas semanas antes da votação capturam preferência de um eleitorado que, em parte relevante, ainda não fechou a decisão, sobretudo nas disputas proporcionais e majoritárias estaduais. Quanto mais baixo o cargo na hierarquia de atenção do eleitor, maior a distância entre a fotografia da pesquisa e o resultado da urna.
O comportamento dos independentes é o que mais chama atenção no recorte. Entre eles, 29% decidem na última semana, quase o dobro do índice de quem se identifica com um dos dois campos majoritários. É esse grupo que concentra o esforço de campanha na reta final, e é sobre ele que atuam debate, propaganda e, nas últimas 48 horas, a mobilização em rede.
O dado do Senado tem peso específico. Um eleitorado em que 32% decidem na semana final e 14% no dia da votação torna a disputa mais sensível a fato tardio e à transferência de voto puxada pelo candidato ao governo do estado.
Vale a comparação entre os três cargos medidos: 58% definem o voto para presidente meses antes, contra 44% para governador e 34% para o Senado. A diferença de 24 pontos entre presidente e Senado dá a medida de quanto a disputa nacional monopoliza a atenção do eleitor e deixa as demais escolhas para o fim do calendário.
Pesquisas registradas no TSE precisam informar contratante, período de campo, número de entrevistas, metodologia e margem de erro, dados que ficam disponíveis para consulta pública no sistema da Justiça Eleitoral. O registro é obrigatório e antecede a divulgação.
Ficha técnica
- Instituto: Genial/Quaest
- Campo: de 31 de julho a 3 de agosto de 2026
- Entrevistas: 2.004 eleitores
- Margem de erro: 2 pontos percentuais
- Nível de confiança: 95%
- Registro no TSE: BR-06591/2026
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