Eleições 2026

Michelle Bolsonaro concentra campanha ao Senado no DF e limita viagens

Estratégia prevê agenda reservada em Brasília, apoio de Damares e Celina Leão e participação pontual no palanque de Flávio

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) vai concentrar no Distrito Federal a campanha à sua vaga no Senado, com agenda própria e participação pontual na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), segundo apuração publicada nesta segunda-feira, 10, pela Gazeta do Povo. A estratégia prevê compromissos mais curtos e selecionados, o que reduz as viagens dela pelo país.

A pré-candidata iniciou a rotina de campanha na segunda-feira, 10, com uma reunião fechada com um pastor da Assembleia de Deus em Taguatinga, na periferia da capital federal. O formato indica a linha adotada para as primeiras semanas: encontros com lideranças religiosas e comunitárias, sem grandes atos públicos.

Michelle disputa uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado. O irmão dela, Diego Torres, foi registrado como suplente na chapa. A irmã, Geovana Kathleen Ferreira Lima, auxilia nos cuidados familiares, atividade que, segundo aliados, pesa na definição da agenda.

Quem caminha com ela no DF

O arranjo local reúne a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). As duas devem dividir palanque com a pré-candidata ao Senado ao longo da campanha. Segundo relato da própria governadora, Celina disse a Michelle: "Onde você não for, eu vou estar".

A ausência da pré-candidata em eventos recentes do campo já havia sido notada. Michelle não participou da convenção do PL no Distrito Federal, por uma crise de enxaqueca, e também não esteve no anúncio de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro, em 5 de agosto. Sobre uma das ausências, Damares Alves afirmou: "Michelle está fazendo comida para o marido. A gente tentou trazer ela agora, mas ela está neste exato momento fazendo comida".

As duas justificativas apontadas por aliados para a agenda enxuta são a própria disputa no Distrito Federal e os cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O papel dela na campanha presidencial

Apesar da agenda concentrada em Brasília, Michelle deve aparecer no horário eleitoral de Flávio Bolsonaro. Aliados do candidato à Presidência trabalham para usar a presença dela como reforço da associação da candidatura ao sobrenome e para ampliar o diálogo da campanha com o eleitorado feminino.

A avaliação no entorno do candidato é que a reaproximação recente entre os dois preserva Michelle como ativo eleitoral em três públicos: mulheres, evangélicos e eleitores conservadores. A gravação de material para a campanha presidencial está prevista, com participação em vídeo em vez de presença física em atos de rua fora do Distrito Federal.

A definição tem efeito prático sobre a disputa nacional. Em uma campanha presidencial que já mostrou dificuldade de unificar o campo da direita, a ausência de uma das figuras de maior reconhecimento entre o eleitorado bolsonarista nos palanques estaduais transfere para o horário eleitoral e para as redes o peso que normalmente se distribuiria em comício.

No Distrito Federal, a corrida ao Senado tem duas vagas em jogo e concentra nomes com passagem pelo governo local e pelo Congresso. A definição das chapas majoritárias segue o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, com registro de candidaturas até 15 de agosto.

A eleição de 2026 renova dois terços do Senado, o que significa que cada estado e o Distrito Federal elegem duas cadeiras nesta rodada. O eleitor vota em dois nomes para a Casa, e cada candidato concorre com um titular e dois suplentes registrados na mesma chapa. É essa regra que coloca Diego Torres na composição registrada pela pré-candidata.

O Distrito Federal tem cerca de 2,2 milhões de eleitores e é uma das unidades da federação com maior concentração de servidores públicos federais, perfil que costuma pesar em disputas majoritárias locais. A campanha começa oficialmente após o prazo de registro, e o horário eleitoral gratuito em rádio e televisão tem início definido pelo calendário do TSE.

As informações sobre a estratégia de campanha foram apuradas pela Gazeta do Povo junto a aliados da pré-candidata e do candidato à Presidência.

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