Eleições 2026

Flávio Bolsonaro diz que vota a favor do fim da 6x1 e oposição libera bancadas no Senado

Anúncio do candidato do PL esvazia a obstrução; votação em primeiro turno está marcada para quarta, 14

Neste texto3 tópicos
  1. Compensação às empresas
  2. O que a PEC prevê
  3. Como fica a tramitação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou nesta terça-feira, 13, que votará a favor da PEC do fim da escala 6x1 no Senado. "A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor", disse. A posição foi relatada pela Folha de S.Paulo e reproduzida pelo Jornal de Brasília.

Segundo a reportagem, o anúncio praticamente enterrou a tentativa de líderes do PL, do PP e do Republicanos de montar uma estratégia de obstrução ou abstenção na sessão de votação. Os três partidos discutiram o assunto nos últimos dias, mas encontraram resistência nas próprias bancadas, com senadores dizendo que queriam votar a favor da redução da jornada. O resultado esperado é que as três bancadas fiquem liberadas.

Compensação às empresas

Flávio Bolsonaro também afirmou que o governo terá de compensar as perdas das empresas com a redução da jornada. Na avaliação de senadores bolsonaristas ouvidos pela Folha, essa sinalização deu um argumento aos colegas que decidiram votar pela mudança na Constituição.

O senador Dr. Hiran (PP-RR) disse que a proposta tem "viés eleitoreiro" e que precisaria prever medidas de compensação. "Vai passar, todo mundo vai votar a favor. É uma eleição muito disputada, qualquer movimento é arriscado", afirmou. Ele deve votar a favor e, em paralelo, defende um projeto de lei complementar, apresentado em julho, que obriga a União a compensar pequenas empresas que tiverem aumento de custo com a nova jornada.

O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, assina outra PEC, que libera um regime de horas flexíveis por acordo individual. Ele defende o que chama de maior liberdade para trabalhadores e empregados.

No Republicanos, ao menos dois senadores declararam apoio ao fim da 6x1: Damares Alves (DF) e Cleitinho Azevedo (MG), eleito governador de Minas Gerais. Damares disse nesta terça que, apesar de a bancada estar liberada, os senadores do partido não devem apoiar a antecipação da votação em segundo turno.

O que a PEC prevê

O texto reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, com duas folgas semanais obrigatórias, uma delas preferencialmente no domingo, sem redução de salário. A transição tem duas etapas: 60 dias após a promulgação, a jornada cai para 42 horas; 12 meses depois, chega a 40. Segundo a PEC, a redução não pode resultar em corte de remuneração.

Como fica a tramitação

A proposta passa nesta terça pela quarta das cinco sessões de discussão exigidas antes do primeiro turno de votação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), definiu que colocará o texto em votação na quarta-feira, 14, depois da quinta e última sessão. As sessões têm sido semipresenciais, o que permite a Flávio votar mesmo em campanha fora de Brasília.

Mudanças na Constituição exigem aprovação em dois turnos. Alcolumbre disse na semana passada que votaria um pedido de antecipação do segundo turno se houvesse requerimento, mas líderes consideram improvável que a votação termine antes do segundo turno da eleição, em 25 de outubro. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), recolhe assinaturas para o requerimento de quebra de interstício, que será levado à mesa diretora na quarta.

No domingo, 11, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a votação antes do segundo turno já estava combinada com Alcolumbre. "A única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar se eles vão ter coragem de votar contra ou a favor", disse. Senadores de oposição ainda não descartam apresentar uma emenda em plenário que obrigue o texto a voltar à Câmara dos Deputados.

Leia também: Lula diz que o PL vai votar o fim da escala 6x1.

Fonte: Folha de S.Paulo, via Jornal de Brasília, 13/10/2026.