Lula diz que PL vai votar fim da escala 6x1 após pressão das ruas; partido não comentou
Declaração veio no anúncio de cinco medidas para MEIs, a 12 dias do segundo turno
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta terça-feira, 13, que o PL, partido do senador e candidato Flávio Bolsonaro, "resolveu votar o fim da escala 6x1" depois da pressão de manifestações de rua. A declaração foi dada durante o anúncio de cinco medidas para microempreendedores individuais (MEIs), a 12 dias do segundo turno. A informação é do Estadão Conteúdo, publicada pelo Jornal de Brasília.
A nota original não traz resposta do PL nem da campanha de Flávio Bolsonaro à fala do presidente.
O que Lula disse
"Me parece que depois da pressão da sociedade e depois de todas as manifestações de rua no Brasil, o PL resolveu votar o fim da escala 6x1", declarou Lula. Ele acrescentou: "De vez em quando fico pensando, se todo o mal que eu causar nesse País for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso."
Segundo a reportagem, o presidente se referia à proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho, e atribuiu a mudança de posição à militância, que fez manifestações espalhadas pelo país no fim de semana.
As medidas para os MEIs
O governo vai perdoar dívidas de microempreendedores e comprar dívidas privadas desses trabalhadores por meio do Desenrola. Lula também prometeu um Pix de R$ 5 mil para os MEIs, o envio de uma proposta de aumento do teto de faturamento da categoria e um decreto que dispensa os chamados "nano MEIs" da obrigatoriedade de nota fiscal. Nosso texto sobre o pacote trata do valor do perdão e do que o governo não informou sobre o impacto fiscal.
"Barulho bom"
Lula rebateu a ideia de que as medidas seriam eleitoreiras. Disse que todo anúncio do tipo em época de eleição causa "barulho" e completou: "Se o barulho que vier a acontecer for o barulho da gente atender a uma aspiração de vocês, é um barulho bom". Na sequência: "Nós não queremos ser surdos".
Onde a PEC está
A PEC 221/2019 tramita no Senado e, segundo levantamento anterior do Resenhando, precisava de cinco sessões de discussão e de 49 votos em cada turno. O tema já entrou na disputa eleitoral: no domingo, 11, o ministro do TSE André Mendonça proibiu anúncios do PT no Facebook que acusavam Flávio de ser contra o fim da escala.
Por isso, a fala de Lula tem leitura dupla. Para o governo, mostra que a pressão funcionou. Para os adversários, é o presidente anunciar, em nome do PL, um voto sobre o qual a nota não registra comentário do partido. Cabe ao PL e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dizer se e quando a proposta volta à pauta.