Flávio avalia colocar Caixa e Banco do Brasil sob o ministério social
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, é a favorita para a pasta; plano de governo trata a Caixa como 'Banco da Prosperidade'
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência no segundo turno deste domingo (25), avalia vincular a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ao ministério que cuidará da área social, caso seja eleito. A informação é da Folha de S.Paulo, publicada neste sábado (24) com base em pessoas ligadas à campanha, e foi reproduzida pelo Jornal de Brasília.
Hoje os dois bancos respondem ao Ministério da Fazenda. A economista Daniella Marques, assessora econômica de Flávio, aparece como a principal cotada para comandar a nova pasta. Ela presidiu a Caixa no último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2022. A indicação, segundo a reportagem, ainda precisa ser confirmada pelo candidato se ele vencer.
Antes disso, a coluna de Amanda no SBT News, já havia publicado que a ideia em discussão era um ministério grande, nos moldes do que Paulo Guedes comandou no governo anterior, e que bancos públicos como a Caixa ficariam sob esse guarda-chuva. O texto do SBT não menciona o Banco do Brasil. A inclusão do BB aparece só na versão da Folha.
A pasta citada na campanha como Ministério da Prosperidade teria alcance ampliado e incluiria a temática das mulheres. Há ainda a possibilidade de abrigar ações de empreendedorismo e trabalho. O desenho final não está fechado.
A proposta não é consenso entre os auxiliares do candidato. Parte da equipe avalia que a Caixa toca programas de naturezas distintas, entre eles obras regionais e o Minha Casa, Minha Vida, e que sua atuação não se limita à área social.
No programa de governo registrado no TSE, Flávio afirma que a Caixa deixará de ser "apenas a operadora de benefícios" para virar o "Banco da Prosperidade", com a promessa de ajudar clientes a construir patrimônio e autonomia financeira. Ele propõe um programa chamado "Ganha-Ganha", em que o cliente acumularia pontos ao concluir um curso de qualificação ou formalizar um negócio, e os pontos se converteriam em juros menores, cashback e acesso facilitado a crédito. O Banco do Brasil não é citado no plano.
Em setembro, num evento do Grupo Esfera, Daniella Marques disse que há mais de 20 estatais dependentes e que "mesmo um Banco do Brasil" precisaria ser reestruturado, com gestão profissionalizada e mais governança. A fala gerou preocupação entre executivos do banco, segundo a Folha, e alimentou especulação sobre privatização. O coordenador econômico da campanha, Adolfo Sachsida, negou o cenário em vídeo publicado na segunda-feira (19): "Você que está em Banco do Brasil, Caixa e Petrobras, não tem privatização coisa nenhuma. Podem ficar tranquilos."
A reportagem lembra que, em 2022, às vésperas do segundo turno, a Caixa passou a oferecer consignado a beneficiários do Auxílio Brasil. Até 1º de novembro daquele ano, os bancos emprestaram R$ 9,5 bilhões na linha, dos quais R$ 7,6 bilhões saíram da Caixa. O TCU abriu processo para apurar o uso político do crédito, arquivado em 2024.
A Caixa é presidida por Carlos Vieira, indicado de Arthur Lira (PP-AL). No Banco do Brasil, o presidente é Tarciana Medeiros, indicada pelo PT, que também aparece em processo sancionador aberto pela CVM. O Resenhando não localizou posicionamento oficial da campanha sobre o desenho do ministério até a publicação.
O desenho do ministério só será definido se Flávio vencer. A apuração do segundo turno começa às 17h deste domingo, e o comparativo dos planos de Flávio e Lula sobre privatizações mostra o que cada candidato registrou no TSE sobre as estatais.
Fontes: Jornal de Brasília / Folhapress, SBT News.