Deltan e Moro publicam foto com a frase 'prendemos Lula, o STF soltou'
Candidatos ao Senado e ao governo do Paraná apareceram de camiseta com dizeres sobre a Lava Jato no dia da formalização das candidaturas
O candidato ao Senado pelo Novo do Paraná, Deltan Dallagnol, publicou no sábado (1º) uma foto ao lado do candidato ao governo do estado, o ex-juiz Sergio Moro (PL), com a legenda "Nós prendemos o Lula. O STF soltou". A publicação foi feita no dia em que os dois nomes foram formalizados pelos respectivos partidos.
Na imagem, os dois aparecem de camiseta. A de Dallagnol traz a frase "Eu prendi o Lula, o STF soltou". A de Moro, "Curitiba prendeu, Brasília soltou". A informação foi divulgada pelo Poder360.
Moro foi juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Operação Lava Jato e condenou o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex do Guarujá. Dallagnol era procurador da República no Paraná e coordenou a força-tarefa da operação no mesmo período.
O que decidiu o Supremo
Lula foi preso em abril de 2018 e deixou a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba em novembro de 2019, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) mudar o entendimento sobre execução de pena após condenação em segunda instância.
Em 2021, o Supremo anulou as condenações do petista na Lava Jato ao reconhecer que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar os processos. Em decisão separada, a Segunda Turma da Corte declarou a suspeição de Moro na condução do caso do tríplex. Com isso, Lula recuperou os direitos políticos e disputou a eleição de 2022.
As decisões do STF trataram de competência e de imparcialidade do juízo, e não do mérito das acusações, ponto que a defesa do petista e os procuradores da operação interpretam de forma oposta desde então.
A chapa no Paraná
Moro deixou a magistratura em 2018 para assumir o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PL), do qual saiu em abril de 2020. Elegeu-se senador pelo Paraná em 2022 e agora disputa o governo do estado. Dallagnol foi eleito deputado federal em 2022 e teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023, por decisão que considerou que ele deixou o Ministério Público Federal para escapar de processos disciplinares.
A chapa foi lançada em convenção com a presença do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Não houve manifestação pública do PT, da defesa do presidente Lula ou do STF sobre a publicação até a conclusão desta reportagem.