Economia

Mínimo de R$ 1.741 em 2027 deve custar R$ 49,6 bilhões ao Orçamento

Valor sugerido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, representa alta de R$ 120 sobre o piso de 2026 e será detalhado no projeto do Orçamento

O salário mínimo de R$ 1.741 previsto para 2027 deve gerar R$ 49,6 bilhões em despesas primárias adicionais ao Orçamento da União. O valor foi sugerido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na segunda-feira, 24, e representa alta de R$ 120 sobre os R$ 1.621 em vigor em 2026, conforme cálculo publicado pelo Poder360 nesta terça-feira, 25.

O número sai da própria arquitetura do gasto federal. Benefícios previdenciários, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o abono salarial e o seguro-desemprego são corrigidos pelo piso, o que faz com que cada real de aumento se multiplique em despesa obrigatória ao longo do exercício.

"Dois terços dos benefícios estão atrelados ao salário mínimo. Mas BPC e abono também são relevantes", afirmou Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos.

Descontado o efeito da massa salarial sobre a arrecadação do Regime Geral de Previdência Social, o impacto líquido cai para R$ 48,6 bilhões.

Como o valor é calculado

A regra de correção do salário mínimo está prevista em lei e combina dois componentes: a inflação medida pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro e o crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos antes. O valor definitivo só é fechado quando o INPC de novembro é conhecido, o que costuma deslocar o número final em relação à estimativa apresentada em agosto.

A projeção inicial constava do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, apresentado em abril de 2026. O detalhamento vai para o Projeto de Lei Orçamentária Anual, que o governo tem prazo até 31 de agosto para enviar ao Congresso Nacional.

O efeito nas contas de 2027

O aumento tem dois lados no Orçamento. De um, eleva o poder de compra de aposentados, pensionistas e trabalhadores que recebem o piso. De outro, cria despesa obrigatória que se repete todos os anos e que não pode ser cortada por decisão administrativa, ao contrário do gasto discricionário.

"Por um lado, fortalece o poder de compra. Por outro, gera pressão estrutural automática sobre o caixa do governo", disse André Matos, presidente-executivo da MA7 Capital.

O impacto se soma às demais despesas obrigatórias em um Orçamento que já opera sob o limite de crescimento de gastos do arcabouço fiscal. Como o piso corrige benefícios de forma automática, o espaço que sobra para investimento e para custeio discricionário se estreita na mesma proporção em que a despesa previdenciária avança.

O número final do salário mínimo de 2027 será conhecido no fim do ano, depois da divulgação do INPC de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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