BC e BCE começam estudo para ligar o Pix ao sistema do euro; Brasil entra atrás da Índia
Estudo de viabilidade começou nesta quinta. Na tabela oficial do BCE, o Pix está na fase de investigação, um degrau atrás da Índia, que já implementa.
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O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram nesta quinta-feira, 24, um estudo de viabilidade para interligar o Pix ao Target Instant Payment Settlement (Tips), o serviço de liquidação de pagamentos instantâneos do Eurosistema. Não há acordo assinado nem prazo anunciado.
"Considerando os significativos fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e a área do euro, a interligação entre Pix e Tips poderá contribuir para pagamentos transfronteiriços mais rápidos, eficientes e de menor custo entre as duas jurisdições", diz a nota do Banco Central do Brasil, divulgada nesta quinta e reproduzida pela Agência Brasil. Segundo a autoridade monetária, serão avaliados aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio.
O que a página do BCE mostra e o anúncio não diz
A página oficial do Tips no site do Banco Central Europeu, consultada nesta quinta-feira, coloca o Brasil no ponto de partida da fila. O documento lista quatro frentes de interligação e a fase de cada uma. O Pix aparece em "fase de investigação", que o próprio BCE define como a avaliação de viabilidade técnica, jurídica e econômica.

Na mesma tabela, a Índia já está adiante. A ligação do Tips com o Unified Payments Interface (UPI), o sistema indiano regulado pelo Reserve Bank of India, está em "fase de realização", com os arranjos jurídicos e a implementação técnica em andamento. Nexus, a rede multilateral lançada pelo Banco de Compensações Internacionais, e o SIC IP, da Suíça, estão no mesmo estágio do Pix.
Em outras palavras: o que foi anunciado nesta quinta não é a interligação, é o começo do exame que pode levar a ela. O verbo usado pelos dois bancos centrais é avaliar.
Como o Tips funciona hoje
O Tips foi criado como infraestrutura pan-europeia de liquidação instantânea em moeda de banco central. Opera atualmente com o euro, a coroa sueca e a coroa dinamarquesa, com expansão prevista para outras moedas do Espaço Econômico Europeu.
O serviço de câmbio dentro do sistema está disponível a todos os participantes desde outubro de 2025 e permite que um consumidor sueco ou dinamarquês pague em moeda nacional a um comerciante da zona do euro, com o dinheiro chegando em euro em segundos. A capacidade que torna possível conversar com sistemas de fora da área do euro foi implantada em junho de 2025 e se apoia no esquema One-Leg Out do Conselho Europeu de Pagamentos.
É esse trilho que o Pix passaria a usar. Na prática, a remessa internacional e a compra em moeda estrangeira deixariam de depender da cadeia de bancos correspondentes, que é onde nascem a demora de dias e a tarifa que o pagador brasileiro só descobre no extrato.
O que está em jogo para quem manda dinheiro para fora
O Banco Central enquadra a iniciativa na "agenda evolutiva do Pix" e no Plano de Ação do G20 para pagamentos transfronteiriços, que fixou metas de custo, velocidade, transparência e acesso. A nota brasileira afirma que as interligações "poderão permitir transferências de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos".
O mesmo documento do BCE registra que o Eurosistema pretende ampliar o esforço para outros corredores de moeda e abre um canal direto para instituições de pagamento interessadas, o endereço TIPS_cross-border@ecb.europa.eu. Não há, em nenhum dos dois comunicados, menção a data de início de operação, a custo de transação ou a volume esperado.
O Pix é hoje o principal ativo de infraestrutura pública do sistema financeiro brasileiro e vem sendo usado como moeda de troca em negociações internacionais. Em 2026, o Brasil viu a própria pauta comercial virar alvo de tarifas americanas, como o Resenhando mostrou ao tratar do país que se tornou o segundo mais tarifado pelos Estados Unidos. O sistema instantâneo também tem sido o veículo de novas obrigações legais, caso do débito automático para pensão alimentícia.
O próximo marco depende do resultado do estudo. Enquanto ele corre, quem acompanha o assunto encontra o estágio atualizado de cada corredor na própria página do Tips no site do BCE, que é o documento em que o Brasil aparece nomeado.