Economia

IFI projeta déficit de R$ 86,1 bi e congelamento de R$ 35,7 bi em 2027

Relatório do órgão do Senado aponta que a meta de superávit de R$ 18,6 bilhões não deve ser cumprida e vê dívida em 86,4% do PIB

A Instituição Fiscal Independente (IFI) projetou déficit primário de R$ 86,1 bilhões em 2027 e concluiu que o governo federal terá de congelar ao menos R$ 35,7 bilhões em despesas no ano que vem para cumprir formalmente a meta fiscal. A análise consta do Relatório de Acompanhamento Fiscal divulgado nesta quinta-feira, 17.

O projeto da Lei Orçamentária Anual de 2027, enviado pelo governo ao Congresso em agosto, prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões. Os cálculos do órgão apontam na direção contrária, com diferença de mais de R$ 100 bilhões entre a meta declarada e o resultado projetado.

A IFI foi criada no âmbito do Senado em 2016 para acompanhar as contas públicas e estimar o impacto de medidas econômicas. Seus relatórios são mensais e não vinculam o Executivo.

O que o relatório projeta para a dívida

O órgão estima que a dívida do setor público, hoje em 82,5% do Produto Interno Bruto, chegue a 86,4% até o fim de 2027. O relatório descreve um ciclo em que o endividamento maior pressiona os juros para cima, e os juros mais altos fazem a dívida crescer de novo.

O efeito não fica restrito às contas do governo. Segundo a IFI, os juros elevados encarecem o financiamento imobiliário, o cartão de crédito e o crédito consignado contratados pela população.

O relatório também diverge do governo na projeção de crescimento. O Executivo trabalha com alta de 2,5% do PIB em 2027; a IFI projeta 1,8%, com impacto sobre geração de emprego e renda. Como as despesas obrigatórias não podem ser cortadas, o ajuste tende a recair sobre obras, investimentos e serviços públicos, como ocorreu com o contingenciamento de 2026.

O congelamento citado pelo relatório é o contingenciamento, bloqueio de parte das despesas discricionárias autorizado quando a arrecadação prevista não se confirma. Ele preserva salários, aposentadorias e benefícios definidos em lei, e por isso incide sobre custeio da máquina e investimento. Quanto maior a diferença entre a meta e a projeção de receita, maior o volume travado no começo do exercício.

Como ficam os programas sociais

A IFI afirma que os principais programas de transferência de renda estão garantidos no Orçamento de 2027. O relatório detalha as dotações previstas:

  • Bolsa Família: R$ 157,1 bilhões;
  • Benefício de Prestação Continuada: R$ 145,1 bilhões;
  • abono salarial e seguro-desemprego: R$ 104,7 bilhões;
  • Pé-de-Meia, voltado a alunos do ensino médio público: R$ 10,5 bilhões.

O projeto contempla ainda o novo salário-paternidade, que passa a valer em 1º de janeiro, e a ampliação do salário-maternidade para trabalhadoras autônomas e rurais. O gasto com precatórios cai para R$ 97,7 bilhões, R$ 24,6 bilhões a menos que em 2026.

O Ministério do Planejamento e Orçamento e o Ministério da Fazenda não divulgaram manifestação sobre as projeções do relatório até a publicação desta reportagem.

O projeto de Lei Orçamentária de 2027, que tramita como PLN 24/2026, será examinado pelos parlamentares. O Congresso já definiu que a votação do Orçamento ficará para depois das eleições de outubro.

Leia também: IFI aponta déficit estrutural de 1,4% do PIB e despesas em alta.

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