Economia

Custo da dívida pública sobe a 12,68% ao ano e estoque chega a R$ 9,26 trilhões

Relatório do Tesouro mostra alta do custo médio em junho; juro do título americano de 10 anos fechou julho em 4,75%

O custo médio da Dívida Pública Federal acumulado em 12 meses subiu de 12,31% ao ano em maio para 12,68% ao ano em junho, segundo o Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional. No mesmo período, o estoque avançou 2,61% em termos nominais e passou de R$ 9,032 trilhões para R$ 9,268 trilhões.

O resultado combina emissão líquida de R$ 142,25 bilhões com apropriação positiva de juros de R$ 93,48 bilhões. Nos títulos da dívida interna, o custo médio do estoque chegou a 13,19% ao ano, e o custo das novas emissões alcançou 14,20% ao ano, indicador que mostra o preço cobrado pelo mercado para financiar o governo no momento da colocação dos papéis.

O prazo médio do estoque encolheu de 4,07 anos em maio para 4,01 anos em junho. Prazo menor significa que uma fatia maior da dívida vence em janelas curtas e precisa ser renovada com mais frequência, o que aumenta a exposição do Tesouro às condições de mercado vigentes na hora da rolagem.

O que a taxa americana tem a ver com a conta brasileira

O juro do título do Tesouro americano de 10 anos, referência mundial para ativos de risco, encerrou 31 de julho em 4,75%, segundo dados de mercado. Quando esse patamar sobe, o rendimento exigido por investidores para comprar papéis de países emergentes tende a subir junto, porque a alternativa considerada mais segura passou a pagar mais.

Essa transmissão aparece primeiro no prêmio cobrado nos leilões de títulos prefixados e indexados à inflação, e depois no custo médio do estoque, que é uma média móvel e reage com defasagem. É por isso que o número divulgado pelo Tesouro reflete decisões de meses anteriores, e não apenas o cenário do dia.

Quem paga a conta

A despesa com juros da dívida é obrigatória e não passa por disputa no Orçamento. Ela é paga antes de qualquer política pública discricionária, e cada ponto percentual de custo médio a mais sobre um estoque superior a R$ 9 trilhões representa dezenas de bilhões de reais por ano em pagamento a detentores de títulos.

Vale separar duas estatísticas que costumam ser confundidas. O relatório do Tesouro mede o estoque da dívida emitida pelo governo federal, em reais. A dívida bruta do governo geral, divulgada pelo Banco Central, mede o endividamento em proporção ao Produto Interno Bruto e usa metodologia própria. Movimentos em uma não se transferem automaticamente para a outra.

O Tesouro Nacional publica o relatório mensalmente, com defasagem de cerca de um mês. Os números de julho, que já incorporam o comportamento dos juros longos no fim do mês passado, serão divulgados em agosto. Este texto não antecipa projeção própria sobre o resultado.

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