Economia

Combustíveis sobem 4,49% no ano, quase o dobro de 2025, mesmo com subsídios, mostra IBGE

Diesel acumula 15,26% e gasolina 5,56% até setembro; só o etanol recua, com queda de 7,01%

Neste texto3 tópicos
  1. O que o IBGE registrou para cada combustível?
  2. Que medidas o governo tomou para segurar os preços?
  3. Quanto o preço subiu na bomba, descontados os subsídios?

Os combustíveis para veículos acumulam alta de 4,49% de janeiro a setembro de 2026, segundo o IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número é quase o dobro dos 2,30% registrados em todo o ano de 2025 e vem apesar de uma sequência de subsídios e cortes de tributos federais que, segundo o Metrópoles, já consumiu R$ 40 bilhões do governo federal.

O que o IBGE registrou para cada combustível?

Os dados são da tabela 7060 do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), com o IPCA de setembro de 2026. A comparação com o fechamento de 2025 mostra que o quadro se inverteu: o etanol caiu neste ano depois de subir 7,15% em 2025, e o diesel passou de quase estável a campeão de alta.

ItemAcumulado em 2025Acumulado até setembro de 2026Setembro de 2026
Combustíveis (veículos)+2,30%+4,49%+1,41%
Gasolina+1,85%+5,56%+1,21%
Etanol+7,15%-7,01%+3,16%
Óleo diesel+0,76%+15,26%+1,69%
IPCA geral+4,26%+3,95%+0,82%

O grupo de combustíveis, que em 2025 ficou abaixo da inflação geral, passou a ficar acima dela em 2026: 4,49% contra 3,95%. O diesel pesa no frete e, por consequência, em boa parte dos preços da economia, o que torna os 15,26% mais relevantes do que o gasto direto do motorista.

Que medidas o governo tomou para segurar os preços?

Segundo o Metrópoles, a alta do petróleo por causa das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia levou o governo a oferecer subsídios aos principais combustíveis. A reportagem lista as medidas, em ordem cronológica:

  • 12 de março: subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel a produtores e importadores, mais isenção de PIS/Cofins sobre o diesel, com redução de outros R$ 0,32 por litro.
  • 8 de abril: alíquota zero de PIS/Cofins para o biodiesel, economia estimada em R$ 0,15 por litro.
  • Julho: subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina, criada por medida provisória.
  • 9 de setembro: Medida Provisória 1.391/2026, com subvenção de R$ 1 por litro de diesel rodoviário.
  • De 10 de setembro a 9 de outubro: PIS/Cofins zerado sobre o etanol hidratado (R$ 0,19 por litro) e redução de R$ 0,63 por litro na gasolina.
  • 9 de outubro: PIS/Cofins da gasolina zerado, com a redução passando de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro; subvenção ao produtor de etanol de R$ 0,25 para R$ 0,43; adicional de R$ 1,40 por litro de diesel aos importadores, o que leva a subvenção total do diesel a R$ 3,52 por litro.

De acordo com a mesma reportagem, o governo federal já direcionou R$ 40 bilhões a essas medidas. O Resenhando publicou o detalhe de várias delas: a MP que liberou R$ 6,6 bilhões para subsidiar diesel e derivados e a MP de R$ 3,47 bilhões para a subvenção do diesel.

Quanto o preço subiu na bomba, descontados os subsídios?

O Metrópoles cita o levantamento semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP): desde o início da guerra, o diesel S10 acumula alta de até 20,85%, e só o etanol recuou, 10,58%. A reportagem observa que a alta seria maior sem os subsídios, mas não apresenta cálculo desse efeito.

A pergunta que a conta deixa sem resposta é o custo fiscal de manter os preços sob controle. As medidas têm prazos curtos, de 30 dias em vários casos, e dependem de renovação. A desoneração da gasolina, por exemplo, vale por 30 dias a partir de 9 de outubro. O prazo termina em 8 de novembro, duas semanas depois do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O próximo dado é o IPCA de outubro, que o IBGE divulga em novembro. Ele mostrará se a alta de 3,16% do etanol em setembro continua e se o corte de tributos sobre a gasolina chega ao preço pago pelo consumidor.