BNDES tem lucro de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre, alta de 25%
Banco estatal informou que as aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões no período, com avanço de 91% em infraestrutura
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 25% superior ao do mesmo período do ano passado. Os números foram apresentados nesta quarta-feira, 12, pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante.
Considerados os 12 meses encerrados em junho, o lucro recorrente chegou a R$ 17,1 bilhões, o maior da história da instituição, segundo o próprio banco. Os ativos totais alcançaram R$ 1,05 trilhão, também o patamar mais alto já registrado.
As aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões nos seis primeiros meses do ano, alta de 52% na comparação com o primeiro semestre de 2025. O avanço mais acentuado veio da infraestrutura, com crescimento de 91% e R$ 46 bilhões em aprovações.
Como ficou a distribuição por setor
Além da infraestrutura, o banco informou aprovações de R$ 24,8 bilhões para a agropecuária, alta de 46%; R$ 22,5 bilhões para a indústria, avanço de 24%; e R$ 17,3 bilhões para comércio e serviços, aumento de 27%.
O BNDES é um banco público, controlado pela União, e opera com funding que inclui recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e devoluções ao Tesouro Nacional. O lucro apurado pela instituição é distribuído em parte à União, na forma de dividendos, e em parte retido para reforço de capital.
É esse desenho que torna o resultado do banco um dado de contas públicas, e não apenas um balanço corporativo. Cada real aprovado em crédito subsidiado ou em condições distintas das de mercado tem contrapartida na estrutura de capital de uma instituição cujo acionista é o contribuinte.
O que o balanço não responde
O banco não divulgou, no material apresentado, a abertura entre o crédito concedido a taxas de mercado e o concedido em condições subsidiadas, informação que permite dimensionar o custo fiscal da expansão. Também não foi detalhada a evolução da inadimplência da carteira no período.
A expansão de 52% nas aprovações ocorre em um ciclo de juros altos, no qual o crédito bancário privado permanece caro para o tomador. Quando o banco público avança em ritmo muito superior ao do mercado, a pergunta que se coloca é se o movimento reflete demanda represada ou condição de preço que o setor privado não consegue oferecer.
Os números foram divulgados pelo BNDES por meio de sua agência de notícias. A abertura por modalidade de taxa e os dados de inadimplência não constavam do material apresentado.
Mercadante preside a instituição desde 2023. O banco vem sendo usado como instrumento central da política industrial do governo, com programas voltados a reindustrialização, transição energética e apoio a exportadores atingidos pela sobretaxa americana.
O resultado de R$ 17,1 bilhões em 12 meses recoloca o BNDES entre as instituições financeiras mais lucrativas do país, posição que o banco havia perdido durante o período de devolução antecipada de recursos ao Tesouro Nacional. Entre 2019 e 2022, a instituição encolheu a carteira e devolveu centenas de bilhões de reais, movimento que reduziu o balanço e o alcance das linhas.
A retomada das aprovações inverte esse ciclo. Um banco de desenvolvimento que cresce 52% em aprovações em um semestre amplia a participação do Estado na formação de crédito de longo prazo, área em que o setor privado brasileiro tem presença historicamente reduzida por falta de funding compatível com prazos longos.
A avaliação sobre esse desenho divide economistas há décadas. De um lado, o argumento de que projeto de infraestrutura com maturação de 20 anos não encontra financiador privado no Brasil. De outro, a crítica de que crédito público em volume elevado desloca o crédito privado e transfere risco ao contribuinte, que responde pelo capital do banco.
O que o balanço apresentado permite afirmar é o volume e a direção: R$ 46 bilhões aprovados em infraestrutura no semestre, quase o dobro do registrado um ano antes, com a agropecuária em segundo lugar entre os setores. O custo fiscal associado a essas operações depende da taxa aplicada em cada contrato, informação que não integrou a divulgação.
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