Economia

Bancários param nesta quinta após rejeitar proposta da Fenaban

Contraf-CUT diz que 97% recusaram o texto patronal e 90% aprovaram a paralisação de 24 horas; federação não apresentou índice de reajuste

Os bancários param por 24 horas nesta quinta-feira, 20, em bancos públicos e privados de todo o país, depois de rejeitarem a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na Campanha Nacional 2026. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na segunda-feira, 17.

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), 97% dos participantes rejeitaram a proposta patronal e 90% aprovaram a paralisação de 24 horas. No Sindicato dos Bancários de São Paulo, maior base da categoria, a rejeição chegou a 97,66% e a adesão à parada, a 89,34%.

O ponto central da disputa não é o tamanho do reajuste, e sim a ausência dele. A Fenaban não apresentou índice de correção para salários e demais verbas até a oitava rodada de negociação, realizada na terça-feira, 18, segundo o relato das entidades sindicais.

Duas propostas patronais levaram a categoria à rejeição. A primeira criava reajuste diferenciado em três faixas salariais, com percentuais distintos para menores salários, faixas intermediárias e maiores salários. A segunda congelava o piso de ingresso, o valor pago a quem entra no banco. Após as assembleias, os bancos recuaram do modelo por faixas e do congelamento do piso.

Sete rodadas de negociação haviam sido realizadas até a assembleia de segunda-feira. A oitava ocorreu na terça, sem apresentação de índice.

"A categoria não aceitará propostas sem avanços concretos em temas essenciais", afirmou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro. "Vamos intensificar a mobilização e dar um grande recado na paralisação do dia 20."

O reajuste por faixas é o ponto que mais mobilizou a categoria porque quebra a lógica da convenção coletiva nacional, que hoje aplica o mesmo índice a todos os empregados dos bancos signatários. Com percentuais distintos por faixa, cada grupo passa a ter interesse próprio na negociação, e a unidade que sustenta a greve nacional se dissolve. O congelamento do piso de ingresso, por sua vez, atinge quem ainda vai ser contratado, categoria que não vota em assembleia.

O que a categoria reivindica

A pauta da Campanha Nacional 2026 inclui aumento real acima da inflação, valorização dos pisos salariais, aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), recomposição dos vales alimentação e refeição e criação de um piso próprio para os trabalhadores de tecnologia da informação, categoria que cresceu dentro dos bancos com a digitalização do atendimento.

A data-base da categoria é 1º de setembro, prazo em que a convenção coletiva precisa estar fechada para valer sem retroatividade em disputa. A negociação é nacional e unificada: o acordo assinado com a Fenaban alcança os empregados de todos os bancos filiados, públicos e privados, em qualquer estado, o que faz da convenção bancária uma das maiores do país em número de trabalhadores cobertos.

Como fica o atendimento

Agências fechadas não interrompem o sistema financeiro. Pix, transferências, pagamento de boleto, saque em terminal de autoatendimento e uso de cartão seguem funcionando pelos aplicativos e pelos canais eletrônicos, que operam sem intervenção humana. O impacto se concentra em serviços presenciais: abertura de conta, renegociação, atendimento de crédito e compensação que dependa de conferência em agência.

Boleto com vencimento no dia continua podendo ser pago pelo aplicativo, pelo internet banking e nas casas lotéricas. Quem depende de atendimento no caixa deve confirmar o funcionamento da agência antes de sair de casa, porque a adesão varia entre bancos e entre cidades.

Procurada, a Fenaban não havia divulgado nota sobre a paralisação até a publicação desta reportagem. As entidades sindicais afirmam que a federação se comprometeu, na rodada anterior, a apresentar índice de reajuste, o que não ocorreu.

A data-base se aproxima sem número na mesa. Se não houver acordo nesta semana, novas rodadas de negociação devem ocorrer antes de 1º de setembro, e a categoria já sinalizou que pode ampliar a paralisação.

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