Morre Zuenir Ventura, aos 95 anos, de pneumonia; velório será na ABL
Jornalista e escritor era o sétimo ocupante da Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras, onde o corpo será velado nesta quarta-feira
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O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu na manhã desta terça-feira, 22, em casa, no Rio de Janeiro, aos 95 anos, em decorrência de uma pneumonia. A morte foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual ele era membro desde 2015.
O velório será realizado nesta quarta-feira, 23, na sede da ABL, na Avenida Presidente Wilson, 203, no Castelo, região central da capital fluminense. Segundo a Agência Brasil, o corpo será enterrado no mausoléu da Academia, no Cemitério São João Batista.
Zuenir Ventura nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, em Minas Gerais. Passou por Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo e pelas revistas Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão e Veja, alternando as funções de repórter, editor, chefe, comentarista e professor ao longo de mais de seis décadas de profissão.
Na ABL, era o sétimo ocupante da Cadeira nº 32. Foi eleito em 30 de outubro de 2014, na sucessão de Ariano Suassuna, e tomou posse em 6 de março de 2015, recebido pela acadêmica Cleonice Berardinelli. A instituição mantém no site o perfil, os discursos e a bibliografia de cada membro.

Os dois livros que fixaram o nome dele
A obra mais conhecida é 1968: O Ano que Não Terminou, reconstituição do ano da contracultura, das passeatas e do AI-5 a partir de entrevistas e documentos. O livro vendeu centenas de milhares de exemplares, segundo a Agência Brasil, e virou referência para quem estuda o período.
O segundo é Cidade Partida, livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro. A obra recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.
Zuenir também assinou as reportagens sobre o assassinato do seringueiro Chico Mendes, cobertura que o aproximou da pauta ambiental muito antes de ela virar rotina nas redações brasileiras.
O que os pares dele disseram
A ABL reuniu depoimentos de acadêmicos na mesma nota em que informou a morte. O jornalista Merval Pereira escreveu: "Zuenir Ventura era o jornalista que todos queríamos ser. Era nosso espelho. Culto, generoso, era repórter e comentarista, editor e redator, chefe e orientador, intelectual e popular, professor e aluno."
O escritor Ruy Castro destacou o retorno dele à reportagem em idade avançada: "Zuenir, muito depois de ter passado da idade, voltou a ser repórter. Embrenhou-se na selva, subiu aos morros e viajou até 1968. De tudo isso, nos trouxe material fundamental sobre o Brasil."
Para o historiador Arno Wehling, a perda é "grande não só para o jornalismo como para a cultura brasileira e a percepção do Brasil". A jornalista Miriam Leitão o chamou de "nosso mestre insuperável" e a escritora Rosiska Darcy disse que ele foi "único e irrepetível".
O escritor Marcos Lucchesi, também acadêmico, escreveu: "O poeta da cidade partida que procurou todos os fios para costurar o diálogo possível."
A morte de Zuenir Ventura se soma à de outros nomes da cultura brasileira registrados neste ano pelo Resenhando, como a morte da atriz Laura Cardoso, aos 98 anos, em São Paulo. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que o homenageou em congresso em 2018, é a mesma entidade que, ao lado da Fenaj, criticou a quebra de sigilo de fonte de jornalista no Maranhão.
O que acontece com a Cadeira 32
As cadeiras da ABL são vitalícias e as 40 vagas só são preenchidas por eleição entre os próprios acadêmicos, com inscrição prévia de candidatos. A Academia não havia divulgado, até a publicação desta reportagem, a data de abertura do processo de sucessão na Cadeira nº 32.
Quem quiser acompanhar o calendário pode consultar a seção de notícias do site da instituição, na página do acadêmico, ou o telefone (21) 3974-2500.