Rio exonera 6.145 comissionados e prevê economia de R$ 221 milhões
Gestão interina reduziu secretarias de 32 para 28 e encontrou servidores sem senha de acesso aos sistemas do estado
O governo do Rio de Janeiro exonerou 6.145 servidores comissionados até 21 de agosto e projeta economia de R$ 221 milhões até dezembro de 2026. Os cortes foram feitos durante a gestão interina do desembargador Ricardo Couto de Castro, que assumiu o Executivo fluminense em 23 de março deste ano.
O estado tinha 14.340 cargos comissionados em março, quando a gestão interina começou. No mesmo período, foram feitas 2.496 novas nomeações, o que reduz o corte líquido, mas mantém a folha bem abaixo do ponto de partida.
O que motivou os cortes
Parte relevante dos servidores exonerados sequer tinha senha de acesso aos sistemas do estado, segundo o levantamento do governo. Em outros casos, os ocupantes de cargo apareciam na repartição apenas uma vez por mês.
Esse tipo de achado é o que separa a discussão sobre tamanho do Estado da discussão sobre custo do Estado. Um cargo comissionado sem senha de acesso não é apenas um posto caro: é um posto que não produz registro de trabalho, e cuja utilidade administrativa não pode ser demonstrada.
Junto com a redução de pessoal, a gestão interina promoveu fusões e diminuiu o número de secretarias de 32 para 28. A reorganização acompanha o corte de comissionados e reduz também a estrutura de gabinetes que sustenta cada pasta.
Quanto isso representa
Os R$ 221 milhões projetados se referem ao período que vai até dezembro de 2026. É economia de custeio direto, sem contar o efeito de médio prazo sobre gratificações, diárias e estrutura de apoio ligada aos cargos extintos.
Cargo comissionado é de livre nomeação e exoneração, e a Constituição reserva essas funções a atribuições de direção, chefia e assessoramento. Na prática, a categoria é o principal instrumento de acomodação política nos governos estaduais, o que torna qualquer corte de grande escala um movimento com custo político embutido.
A gestão interina no Rio ocorre em ano eleitoral, período em que a legislação impõe restrições adicionais a nomeações e à movimentação de pessoal na administração pública. As travas do calendário eleitoral sobre nomeação, publicidade e repasses valem para estados e municípios e limitam a margem de recomposição dos quadros até a eleição.
O balanço divulgado pelo governo fluminense não detalha a distribuição dos cortes por secretaria nem informa quantos dos 2.496 nomeados no período ocupam funções equivalentes às dos cargos extintos.