Defesa Civil do RS eleva para 2.686 os desalojados e afasta ciclone-bomba
Balanco deste domingo aponta 117 municipios com danos, um morto e cinco feridos; orgao estadual atribui os estragos a frente fria
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul elevou para 2.686 o número de desalojados pelas tempestades que atingiram o estado a partir da última sexta-feira, 7, segundo balanço divulgado neste domingo, 9. Os temporais provocaram estragos em 117 municípios gaúchos, com um morto e cinco feridos registrados desde o início do evento.
No mesmo boletim, o órgão estadual desfez a associação que vinha sendo feita entre os danos e o ciclone-bomba noticiado ao longo da semana. Segundo a Defesa Civil, os estragos foram causados por fortes chuvas e ventos formados pela frente fria, e não pelo ciclone, fenômeno que se formou entre a Argentina e o Uruguai e se deslocou pelo oceano, levando ventos à costa gaúcha sem maiores impactos sobre o continente.
Além dos desalojados, que são as pessoas que deixaram suas casas mas foram acolhidas por parentes ou conhecidos, o levantamento aponta um desabrigado, em Montenegro, dependendo de abrigo público. Os principais danos foram destelhamentos de residências, quedas de árvores e de postes de energia.
Onde estão os desalojados
Minas do Leão concentra o maior número, com 500 pessoas fora de casa. Novo Hamburgo aparece em seguida, com 480, e Sapiranga, com 360. Na contagem divulgada na sexta-feira, quando o total ainda era de cerca de 2,3 mil desalojados, também apareciam São Leopoldo, com 200, Nova Hartz, com 180, e Portão, com o mesmo número.
O mesmo sistema que passou pelo Rio Grande do Sul manteve o litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro sob alerta de ventos fortes ao longo do fim de semana, sem que os dois estados registrassem estragos na escala observada no Sul. A instabilidade se deslocou pela costa depois de atingir a área continental gaúcha entre a noite de quinta-feira e a sexta-feira.
O corte de energia foi o efeito mais disseminado. No auge do temporal, cerca de 250 mil unidades consumidoras ficaram sem eletricidade no estado, conforme balanço citado pelo Correio Braziliense. Na noite de sexta-feira, ainda havia perto de 45 mil clientes sem fornecimento, número que as distribuidoras vinham reduzindo ao longo do fim de semana.
Emergência já decretada em quatro cidades
O reconhecimento federal de situação de emergência já havia sido publicado para quatro municípios gaúchos antes deste balanço, o que abre caminho para transferência de recursos da União e para o acesso a linhas de crédito e a saques do FGTS pelos moradores atingidos. A portaria que formalizou o reconhecimento foi assinada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A distinção feita pela Defesa Civil gaúcha tem efeito prático além do vocabulário meteorológico. Enquadrar o evento como ciclone-bomba, um sistema de queda rápida de pressão que se formou sobre o oceano, ou como o resultado de uma frente fria que avançou sobre a área continental muda a leitura sobre o que a rede de energia e as prefeituras precisam suportar em episódios semelhantes. Foram os ventos associados à frente fria, e não o sistema oceânico, que derrubaram telhados e postes no Vale do Sinos e na região carbonífera.
Desde a enchente de maio de 2024, o estado passou a operar com boletins sucessivos da Defesa Civil em cada episódio de instabilidade, prática que permite acompanhar a evolução dos números ao longo do próprio evento. Foi o que ocorreu neste fim de semana: a contagem de desalojados subiu de 2,3 mil na sexta-feira para 2.686 no domingo, à medida que as prefeituras enviavam os registros de danos ao órgão estadual.
A Defesa Civil informou que as equipes municipais seguem em levantamento de danos, o que pode alterar os números nos próximos boletins. O balanço divulgado neste domingo não traz estimativa de prejuízo material.