Bebê sequestrada em Campo Grande é resgatada no Paraguai
Casal brasileiro foi preso em flagrante na madrugada deste domingo (9) em Pedro Juan Caballero; Mato Grosso do Sul usou o Alerta Amber pela primeira vez
A recém-nascida Ayla, sequestrada em Campo Grande (MS), foi localizada e resgatada por volta de 1h15 deste domingo (9) em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. Dois brasileiros foram presos em flagrante durante a ação, segundo o Correio do Estado e o Campo Grande News.
O resgate ocorreu no cumprimento de um mandado judicial de busca executado pelo Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio do Grupo Antissequestro do Paraguai (DAS) e de equipes da Direção de Polícia do Amambay. Foram presos Weliton Aparecido Lopes dos Santos e Suzilaine da Graça Costa, que respondem como suspeitos até decisão judicial.
A bebê foi encaminhada ao setor de emergência do Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde passou por exames e permaneceu em observação médica. A criança tinha menos de um mês quando desapareceu. O Correio do Estado registrou 28 dias de vida; o Correio Braziliense publicou 26 dias.
Como a polícia chegou ao Paraguai
O rastreamento de sinais telefônicos foi o ponto de partida da investigação e levou as equipes até os dois brasileiros que estavam com a criança do outro lado da fronteira, conforme o Campo Grande News. Pedro Juan Caballero é conurbada com Ponta Porã, no lado brasileiro, o que permite a travessia por via urbana, sem posto de controle no trajeto entre as duas cidades.
O sequestro ocorreu em 6 de agosto, em Campo Grande. Segundo relato da madrinha da criança ao Correio do Estado, duas irmãs adolescentes, de 17 e 13 anos, foram atraídas a uma residência sob o pretexto de que uma delas seria paga para cuidar de Ayla. Ao chegarem, foram rendidas e amarradas: uma ficou trancada no banheiro e a outra em um quarto com a bebê. As duas foram liberadas por volta de 1h em um terreno baldio próximo à Avenida Guaicurus. As adolescentes não são identificadas.
A partir do registro da ocorrência, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul acionou as unidades especializadas e pediu cooperação às forças paraguaias, procedimento usual quando há indício de deslocamento de suspeitos para a faixa de fronteira. A criança foi localizada no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero.
Primeira aplicação do Alerta Amber no estado
Mato Grosso do Sul usou pela primeira vez o Alerta Amber, ferramenta disponibilizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para ampliar a divulgação de casos de crianças desaparecidas. O mecanismo dispara notificações em larga escala e mobiliza plataformas digitais para distribuir a foto e as características da criança nas horas seguintes ao desaparecimento.
O mecanismo tem origem nos Estados Unidos e foi adotado no Brasil pelo Ministério da Justiça em parceria com plataformas digitais. Não substitui o boletim de ocorrência nem o trabalho investigativo: funciona como camada de difusão, que só é ativada quando a autoridade policial confirma os critérios do caso.
A prisão dos dois suspeitos ocorreu em território paraguaio, o que submete a etapa seguinte às regras de cooperação entre os dois países. Eventual transferência para o Brasil depende de pedido formal e de decisão das autoridades do Paraguai. Até a publicação desta reportagem, não havia informação divulgada sobre defesa constituída para os presos.
A guarda da criança passou a ser tratada pelas autoridades paraguaias e pelo Ministério da Defesa Pública do país, informou o Correio do Estado. A família aguardava em Campo Grande o retorno da bebê, segundo o portal TOP Mídia News.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul não divulgou, até o fechamento desta reportagem, a motivação apurada para o sequestro nem se há outros investigados. Também não há informação oficial sobre quanto tempo os suspeitos permaneceram em território brasileiro antes da travessia.
O intervalo entre o crime e a localização foi de cerca de três dias, prazo em que o caso circulou pelo Alerta Amber e pela imprensa de Mato Grosso do Sul. É esse tipo de janela que o sistema tenta encurtar: quanto mais cedo a foto e as características da criança chegam ao público de uma região, maior o número de pessoas capazes de reconhecer a criança em trânsito.