Anac diz que helicóptero que caiu no Rio tinha certificado válido
Agência afirma que a aeronave estava autorizada para voo panorâmico e vai atuar com a prefeitura na fiscalização do setor; Cenipa segue na coleta de dados
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou no sábado, 8 de agosto, que o helicóptero que caiu na região da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, estava com a documentação regular. A queda matou as quatro pessoas a bordo, o piloto e três passageiras.
Em nota, a agência declarou que "o equipamento estava com certificado de aeronavegabilidade válido e tinha autorização para fazer serviço aéreo especializado (SAE) de voo panorâmico, conforme informações do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB)". A aeronave é operada pela Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos Ltda.
Segundo os dados do registro citados pela Anac, o helicóptero foi fabricado em 2001, tem número de série 0892, capacidade para quatro ocupantes e peso máximo de decolagem de 1.088 quilos. A queda ocorreu em área de mata de difícil acesso dentro do parque, o que atrasou a chegada das equipes de resgate.
O que diz a investigação
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que os trabalhos estavam na fase de coleta de dados no local do impacto, com análise de danos e preservação dos destroços. O órgão não apontou causa e não estabeleceu prazo para conclusão. Investigações do Cenipa costumam gerar um relatório preliminar em até 30 dias e um relatório final que pode levar mais de um ano.
O acidente reacendeu a discussão sobre os voos panorâmicos na capital fluminense. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), pediu à Anac que intensifique a fiscalização da modalidade na cidade. A agência respondeu que está em contato com a prefeitura para definir uma atuação conjunta na fiscalização desse tipo de operação.
O voo panorâmico é enquadrado pela regulamentação brasileira como serviço aéreo especializado, categoria distinta do transporte aéreo regular e do táxi aéreo. O operador precisa de certificado próprio, emitido pela Anac, e opera sob regras específicas de manutenção, treinamento de tripulação e limites de operação.
A aeronave envolvida no acidente tem 25 anos, conforme o ano de fabricação informado pelo registro. Idade, por si, não impede a operação: o critério regulatório é o cumprimento do programa de inspeções e a validade do certificado de aeronavegabilidade, que a agência declarou estar em ordem.
O histórico do setor no Rio
A competência sobre a atividade é federal. Cabe à Anac certificar operadores, autorizar o serviço aéreo especializado e fiscalizar a manutenção das aeronaves. O município tem poder sobre os heliportos instalados em seu território e sobre o uso do solo, mas não sobre a autorização de voo, o que limita o alcance de uma decisão local de suspender a modalidade.
O caso da Vista Chinesa entra em uma sequência de ocorrências com helicópteros na cidade neste ano. Segundo levantamento da CNN Brasil, acidentes com esse tipo de aeronave no Rio somam 13 mortes em 2026, e a Força Aérea Brasileira havia sido alertada sobre o setor antes da última queda.
A regularidade documental atestada pela Anac responde a uma pergunta específica, a de saber se a aeronave podia voar, e não à causa do acidente. Certificado de aeronavegabilidade válido significa que a aeronave cumpriu as inspeções previstas no programa de manutenção do fabricante e que o registro estava em dia na data do voo. A determinação do que provocou a queda depende do exame dos destroços, dos registros de manutenção, das condições meteorológicas e do histórico do piloto, todos itens sob análise do Cenipa.
A área onde a aeronave caiu também pesa na apuração. O Parque Nacional da Tijuca é uma unidade de conservação federal com relevo acidentado e cobertura de mata fechada, condição que dificulta o acesso das equipes e a preservação dos vestígios. O trajeto de voo panorâmico sobre o parque é rota usual das operadoras que partem dos heliportos da zona sul carioca.
As informações desta reportagem constam de notas divulgadas pela Anac e pelo Cenipa, publicadas pelo Correio Braziliense em 8 de agosto.