China aplica tarifa de 67% sobre carne bovina brasileira após esgotamento de cota
A partir de 1º de outubro, a carne bovina brasileira enfrenta tarifa de 67% na China devido ao esgotamento da cota anual de 1,106 milhão de toneladas.
A carne bovina brasileira passou a pagar uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês a partir de 1º de outubro. A cobrança adicional de 55% soma-se à tarifa regular de 12% após o Brasil atingir o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026.
O sistema de cotas é utilizado pela China como medida de proteção ao mercado interno diante do aumento das importações. A sobretaxa aplicada não é exclusiva ao Brasil e atinge outros fornecedores do país asiático.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira e expandiu sua participação nas exportações do setor na década. Entre 2016 e 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de carne bovina para o país asiático, movimentando US$ 42,3 bilhões.
O volume de exportações brasileiras para a China saltou de 164,9 mil toneladas em 2016 para 1,6 milhão de toneladas em 2025. Atualmente, o Brasil responde por mais de 40% do volume importado pela China, que cresceu de menos de 1,5 milhão de toneladas em 2018 para cerca de 2,8 milhões de toneladas em anos recentes.
A concentração das vendas no mercado chinês gera preocupação entre frigoríficos e pecuaristas quanto aos efeitos da sobretaxa no fluxo de caixa das empresas. A Abiec estima que as exportações totais de carne bovina do Brasil em 2026 recuem cerca de 10% em relação a 2025, considerando também restrições da União Europeia.
O mercado chinês apresenta um cenário de aumento da oferta doméstica e preços mais baixos para a carne bovina. A mudança nas tarifas ocorre em um período de maior atenção do setor brasileiro às condições de acesso ao mercado chinês.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) discute estratégias para utilizar a cota de 2027, que será de 1,128 milhão de toneladas. Representantes do setor estimam que este novo limite possa ser alcançado entre março e abril de 2027.
A Abiec avalia a possibilidade de antecipar a produção e os embarques para aproveitar a cota do próximo ano. A proposta inclui a realização de abates ainda em outubro e a previsão de embarques para novembro.
Considerando que a viagem marítima entre os dois países leva de 40 a 45 dias, a expectativa é que a carne chegue à China em janeiro de 2027. Essa estratégia visa permitir o uso da cota de 2027 logo no início de sua vigência.
O ritmo das compras realizadas pela China será um fator determinante para o sucesso dessas operações. Segundo a Abiec, os efeitos da restrição começaram antes mesmo do esgotamento oficial da cota.
Nos últimos meses, frigoríficos reduziram as vendas para a China e buscaram compradores em outros mercados. A Abiec também discute com o governo uma divisão da cota de 2027 entre os frigoríficos para distribuir os embarques ao longo do ano e evitar a concentração do volume em poucas empresas.
Em 29 de setembro, a China autorizou a exportação de carne bovina por duas novas unidades brasileiras, localizadas em Minas Gerais e Pernambuco.
Fontes: Carne brasileira vai pagar tarifa de 67% para entrar na China.