Cadeia da cachaça chega a 1.583 estabelecimentos, alta de 21% em um ano
Anuário do Ministério da Agricultura mostra expansão do registro em 844 municípios e queda de 15,77% no volume declarado
A cadeia produtiva da cachaça no Brasil chegou a 1.583 estabelecimentos registrados em 2025, 272 a mais do que no ano anterior, alta de 21%. O dado consta do Anuário da Cachaça, divulgado em 1º de agosto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e elaborado pela Secretaria de Defesa Agropecuária.
Desde 2018, o número de estabelecimentos registrados cresceu 61%. A atividade está presente em 844 municípios, e o Ministério da Agricultura contabiliza 8.379 produtos registrados na bebida.
O Sudeste concentra 961 estabelecimentos, com Minas Gerais isoladamente respondendo por 564. Vêm em seguida o Sul, com 277, o Nordeste, com 211, o Centro-Oeste, com 70, e o Norte, com 19. Entre os municípios, Salinas, em Minas Gerais, lidera com 27 estabelecimentos, seguida de Alto Rio Doce, também mineira, com 25, e de Viçosa do Ceará, no Ceará, com 24.
A cadeia manteve 6.232 postos de trabalho em 2025, o equivalente a 4,4% do emprego da indústria de bebidas no país.
O que dizem os números de produção
O avanço no número de registros não veio acompanhado de aumento de volume. A produção declarada em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, queda de 15,77% em relação ao ano anterior.
Os dois movimentos convivem porque medem coisas diferentes. O total de estabelecimentos reflete quantos produtores entraram na formalidade e obtiveram registro no Ministério da Agricultura, exigência para vender legalmente e, sobretudo, para exportar. O volume declarado depende de safra, custo e demanda no ano.
O anuário não detalha as causas da retração no volume.
Como está a exportação
As vendas externas somaram quase 8 milhões de litros em 2025, crescimento de 19,4% sobre 2024. A bebida chegou a 76 destinos.
Os Estados Unidos são o maior comprador em valor. Em volume, o principal destino é o Paraguai, que importou 1,34 milhão de litros. A diferença entre os dois mercados indica preço médio bem mais alto no comprador americano, que absorve as marcas de maior valor agregado.
O registro no Ministério da Agricultura é a porta de entrada para esse mercado: sem ele, o alambique não obtém o certificado exigido pelos países importadores. É por isso que o número de estabelecimentos formalizados funciona como termômetro do potencial exportador da bebida, ainda que a produção anual oscile.
A cachaça tem denominação de origem reconhecida como produto exclusivamente brasileiro em acordos comerciais, o que impede que destilados semelhantes produzidos fora do país usem o nome.