Agronegócio

Congresso do Agronegócio debate crédito e comércio exterior na segunda

Encontro anual da Abag e da B3 reúne diplomatas e executivos em São Paulo para discutir financiamento em cenário volátil e prioridades do setor para o próximo governo

O 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio será realizado na próxima segunda-feira, 10 de agosto, das 9h às 18h, no Sheraton WTC São Paulo. O encontro é organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em parceria com a B3 e coloca crédito e comércio exterior no centro da programação, segundo o site oficial do evento.

A edição chega em ano eleitoral, e a programação reserva uma das mesas-redondas ao tema "Novo Governo: Prioridades e Compromissos". A outra mesa, "O Agro na Geopolítica", trata do ambiente externo em que o produtor brasileiro vende sua safra.

Dois painéis completam o bloco central: "A indústria que revoluciona o agro" e "Investimento e Financiamento em tempos voláteis". O evento traz ainda a estreia do "Future Flash do Agro Brasileiro", série de apresentações curtas sobre tendências que devem alcançar o setor nos próximos anos, e uma palestra de encerramento.

Quem discute comércio exterior

A parte internacional da programação reúne dois diplomatas de carreira. Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Reino do Marrocos, e Braz Baracuhy, que foi representante permanente do Brasil na Organização Mundial do Comércio entre 2022 e 2023, participam do debate sobre a posição brasileira no comércio agrícola.

A escolha do recorte tem relação direta com o momento. As exportações do agro respondem pela maior parte do superávit comercial brasileiro, e o setor opera hoje sob revisão de regras de acesso em vários mercados, entre barreiras tarifárias, exigências ambientais e disputas de rotulagem.

Para o produtor, a discussão sobre mercado externo não é abstrata. É ela que define o preço recebido na porteira, porque a paridade de exportação puxa a cotação interna de soja, milho, carne e açúcar.

O financiamento no centro da pauta

O segundo eixo do congresso é o custo do dinheiro. O painel sobre investimento e financiamento em tempos voláteis trata do ambiente em que o produtor busca capital de giro e crédito de investimento em um cenário de juros elevados.

A dificuldade de financiamento tem aparecido nos indicadores do setor. O crédito bancário encareceu, o custo de captação subiu e parte dos produtores passou a recorrer a instrumentos privados, como o barter com tradings e revendas, além dos títulos do agronegócio negociados na B3, parceira do evento.

O tema conversa com a agenda legislativa. As regras do crédito rural, o desenho do Plano Safra e os instrumentos de garantia estão entre os pontos que a bancada do setor tenta destravar no Congresso Nacional, e a proximidade do calendário eleitoral encurta a janela de votação.

O crédito rural oficial responde por parte do financiamento da safra, mas o produtor de maior porte já opera majoritariamente com recursos privados. Essa mudança de composição é o que dá relevância ao painel: quando a taxa básica sobe, o custo do funding privado sobe junto e chega mais rápido à porteira do que o crédito equalizado.

O efeito aparece na decisão de investimento. Máquina, armazenagem e correção de solo são gastos que o produtor adia primeiro quando o crédito encarece, e o adiamento tem custo de produtividade que só se manifesta nas safras seguintes.

Do lado da comercialização, o produtor que trava preço em dólar precisa considerar a tarifa aplicada no destino. Um mercado que passa a cobrar sobretaxa deixa de puxar prêmio e desloca o embarque para outro comprador, com frete e prazo diferentes.

As inscrições para a participação presencial estão abertas no site oficial do congresso. A transmissão online é gratuita, mediante credenciamento prévio.

A Abag realiza o encontro anualmente desde a década de 1990, e a edição costuma funcionar como termômetro do que o setor vai levar a Brasília no segundo semestre. Em ano de eleição presidencial, a mesa sobre prioridades do próximo governo tende a concentrar a atenção de quem acompanha a formulação de política agrícola.

A programação completa, com os nomes dos participantes de cada painel, está publicada no site do evento.

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