Política

Zema diz que o STF tem frutas podres e defende investigar Moraes e Toffoli

Candidato do Novo à Presidência falou em ato em Brasília no dia em que o plenário analisa a abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou nesta terça-feira, 15, que o Supremo Tribunal Federal tem "frutas podres" e defendeu que ministros da Corte sejam investigados. A declaração foi dada durante ato em Brasília, no mesmo dia em que o plenário do tribunal analisa a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"Pela 1ª vez nós vamos ter um inquérito aberto contra um ministro do Supremo. Espero que seja apenas o primeiro, porque nós sabemos que temos mais frutas podres. E eu espero que um queira investigar o outro. Estou vendo aí que a podridão está aflorando", disse Zema, segundo o Poder360.

O candidato citou nominalmente outros dois ministros ao defender a apuração. "Quem não deve, não teme. Que a investigação vá contra Alexandre de Moraes, se for necessário contra Dias Toffoli, se for necessário contra Gilmar Mendes e qualquer outro ministro. Precisamos do Brasil acima de todos", afirmou.

O apelo ao plenário e a menção a impeachment

Zema disse que o Supremo está, "em boa parte, totalmente apodrecido" e pediu aos ministros que não votassem por corporativismo na sessão. "Aqueles que são do bem, votem para o futuro do Brasil e não pelo corporativismo que tem prevalecido até esse momento", declarou.

O candidato também defendeu a possibilidade de afastamento de integrantes da Corte pelo Senado. "Já tivemos impeachment de deputados, de prefeitos, de presidente e que venhamos a ter impeachment de ministro. O que deve prevalecer é a lei e a Constituição", afirmou.

O Supremo não divulgou manifestação sobre as declarações. Moraes, Toffoli e Gilmar Mendes não se pronunciaram publicamente sobre a fala do candidato até a publicação desta reportagem.

O julgamento que serviu de pano de fundo

O ato ocorreu no dia em que os ministros começaram a analisar o relatório da Polícia Federal que descreve interlocução entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O caso teve início em 1º de setembro, quando o relator das investigações, ministro André Mendonça, tornou público o documento.

Segundo o relatório, Vorcaro pediu interferência do magistrado nas investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025. O texto aponta ainda contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Antes de autorizar o andamento da apuração, Mendonça remeteu o caso ao plenário. Cabe agora aos ministros decidir se a Polícia Federal pode ou não prosseguir. Em manifestação de 1º de setembro, a Procuradoria-Geral da República sustentou que o procedimento foi inválido por duas razões: Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF, e uma investigação contra ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário, com encaminhamento à Presidência do Tribunal.

Zema havia convocado o ato na semana passada, com data marcada para o dia do julgamento.

Leia também: Zema convoca ato em Brasília no dia do julgamento sobre Moraes.

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