Política

Quaest: 56% dizem nao confiar no STF, o maior indice desde 2022

Desconfianca subiu 10 pontos em um mes; entre eleitores independentes, chegou a 65%

Pesquisa do instituto Quaest divulgada nesta terça-feira, 15, aponta que 56% dos brasileiros dizem não confiar no Supremo Tribunal Federal. É o maior patamar registrado pelo levantamento desde dezembro de 2022 e representa alta de 10 pontos percentuais em relação à medição do mês anterior.

Na mesma escala, 30% afirmam confiar pouco no tribunal e 9% dizem confiar muito. O levantamento foi contratado pela Editora Globo e pela Globo Comunicação.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026, o mesmo registro da rodada de intenção de voto que a Quaest divulgou no domingo, 14, e que o Resenhando publicou.

O que muda em cada segmento

O movimento mais forte está no eleitorado que não se identifica com nenhum dos dois polos. Entre os independentes, a desconfiança no Supremo passou de 50% em agosto para 65% em setembro, avanço de 15 pontos em quatro semanas.

Entre quem declara apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, a desconfiança ficou praticamente estável, de 27% para 30%. A mudança relevante nesse grupo está na outra ponta da escala: a parcela que diz confiar muito no STF caiu de 41% para 23%, queda de 18 pontos.

Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice de desconfiança segue o mais alto dos três recortes, 69%, mas recuou em relação aos 73% da medição anterior.

O contexto da medicao

O campo foi a rua entre 10 e 13 de setembro, na semana em que a crise envolvendo o Supremo ganhou novos capítulos. No dia 9, Edson Fachin retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. Ao longo da semana vieram a público as trocas de mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que deram origem à Petição 16.662.

Essa petição começou a ser julgada pelo plenário do STF nesta terça-feira, dois dias depois do encerramento do campo da pesquisa. O julgamento define se a investigação sobre o ministro pode avançar.

O Supremo Tribunal Federal não divulgou manifestação sobre os números do levantamento. O tribunal também não mantém pesquisa própria de confiança institucional de periodicidade mensal, o que deixa as séries de institutos privados como principal termômetro disponível sobre o tema.

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