Malafaia não vai organizar o ato de 7 de Setembro na Paulista
Pastor diz que evento é campanha do PL de São Paulo e sai do comando após cinco anos
O pastor Silas Malafaia informou que não vai organizar o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, e atribuiu a condução do evento ao PL paulista. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta quarta-feira, 19, pela Gazeta do Povo.
É a primeira vez desde 2021 que Malafaia fica fora do comando de uma manifestação na Paulista na data. Nos anos anteriores, ele coordenou a estrutura dos atos, definiu a ordem dos discursos e negociou a lista de quem subiria ao palco.
O pastor disse que a diferença deste ano é o caráter partidário do evento, em plena campanha eleitoral.
"Como o Bolsonaro sabia que eu sou um cara organizado, botava ordem na questão e não deixava qualquer um falar, ele me pedia. Agora, a questão do 7 de Setembro é campanha política do PL de São Paulo. Eu não vou organizar manifestação política partidária", afirmou Malafaia.
O que muda na organização
Com a saída do pastor, a responsabilidade pelo ato passa ao diretório estadual do PL em São Paulo. O partido é quem trata da reserva da via e da montagem da estrutura.
A diferença não é apenas administrativa. Quem organiza define a lista de oradores, o tempo de cada fala e a mensagem que sai do palco para a televisão e para as redes. Em ano eleitoral, esse controle vale mais do que a estrutura física do evento, porque determina quais candidaturas aparecem associadas à imagem do ato.
Malafaia rejeitou a leitura de que estaria se afastando do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Ele afirmou que seguirá apoiando a candidatura por outros meios.
O pastor tem base própria de alcance nas redes sociais e um histórico de intervenção direta nas escolhas do campo, incluindo críticas públicas a decisões da campanha do PL neste ano. Retirar-se da organização do ato não retira essa influência, mas muda o lugar de onde ela é exercida: sai da estrutura do palanque e volta para o canal digital.
"Eu prefiro apoiar usando minhas redes, usando minha influência. Eu não sou candidato", disse.
O que muda com o ato dentro da campanha
A distinção que Malafaia faz tem consequência prática. Manifestação convocada por entidade civil e ato de campanha promovido por partido seguem regras diferentes no calendário eleitoral. O que o diretório do PL organizar em 7 de setembro entra na contabilidade de campanha, com as exigências de prestação de contas e de identificação de gasto que a legislação impõe.
O pastor também vive um momento próprio no Judiciário. Em 18 de agosto, o Supremo Tribunal Federal abriu ação penal contra ele por injúria ao Alto Comando do Exército.
O 7 de Setembro na Paulista virou, desde 2021, o principal termômetro de rua do campo bolsonarista. A mudança de comando importa porque o ato deixa de ser um evento de mobilização difusa e passa a ser contabilizado como propaganda de campanha, com as regras eleitorais que isso implica.
Malafaia foi o organizador dos atos de 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro discursou na avenida, e repetiu a função nos anos seguintes, sempre com a definição de palanque e de ordem de falas concentrada em suas mãos. A ausência muda quem controla o microfone em uma data que, neste ano, cai no meio da corrida presidencial.
Procurado sobre a organização do ato deste ano, o PL de São Paulo não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem. A Gazeta do Povo publicou a entrevista com o pastor nesta quarta-feira, e o Metrópoles registrou declarações no mesmo sentido.