Moro diz que Valdemar Costa Neto já pagou pelos erros do passado
Senador defendeu a aliança com o presidente do PL em sabatina do UOL e da Folha nesta sexta-feira
O senador e candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL-PR), defendeu a aliança com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e afirmou que o dirigente já cumpriu as punições pelas condenações do passado. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 7, em sabatina do UOL e da Folha de S.Paulo.
Questionado sobre a convivência com o comando do partido pelo qual disputa o governo estadual em 2026, o ex-juiz da Operação Lava Jato disse que a situação de Valdemar hoje é diferente da que motivou as condenações.
"Os erros que ele cometeu no passado, ele já pagou", afirmou Moro.
O senador acrescentou que o dirigente cumpriu a pena imposta na época e que, por isso, está em condição distinta no momento atual. Os erros a que Moro se referiu são as condenações de Valdemar no processo do mensalão, julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470.
O que consta contra Valdemar
Valdemar Costa Neto renunciou ao mandato de deputado federal em agosto de 2005, no auge do escândalo, para escapar de um processo de cassação em curso no Conselho de Ética da Câmara. Sete anos depois, em 2012, foi condenado pelo STF no julgamento da Ação Penal 470 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e passou a cumprir pena em 2013.
Cumprida a punição e recuperados os direitos políticos, ele voltou ao comando partidário e reconstruiu o PL como uma das maiores legendas do Congresso. Foi sob a presidência dele que o partido filiou Jair Bolsonaro, em 2021, e se tornou a principal estrutura eleitoral do campo à direita.
O arranjo do PL no Paraná
Moro foi eleito senador pelo Paraná em 2022 pelo União Brasil e migrou para o PL, legenda que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro e que confirmou o nome dele para a disputa estadual. A federação com Valdemar à frente é a mesma que Moro enfrentou, do lado oposto, durante os anos da Lava Jato.
A pergunta sobre a aliança é recorrente na pré-campanha porque a trajetória do senador foi construída sobre a atuação contra a corrupção política. Moro comandou em Curitiba a primeira instância da Lava Jato, deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, em 2019, e rompeu com o então presidente no ano seguinte.
O mandato de senador dele chegou a ser questionado no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná em ações que pediam a cassação por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O TRE-PR julgou os pedidos improcedentes em 2023 e ele manteve a cadeira.
Na mesma sabatina, Moro apresentou o saneamento básico como uma das prioridades de gestão e prometeu o que chamou de choque de gestão na área, com foco em ampliação de cobertura e prazos de execução.
Repercussão
A fala teve repercussão imediata entre veículos de campos opostos. Publicações críticas ao senador trataram a declaração como recuo em relação ao discurso anticorrupção que o projetou nacionalmente. Do outro lado, aliados avaliam que a posição consolida a unidade da direita no estado a menos de dois meses do primeiro turno.
A entrevista original foi conduzida pelo UOL em parceria com a Folha de S.Paulo e reproduzida por veículos de todo o país, entre eles o Diário do Grande ABC, o Jornal de Brasília e o Diario de Pernambuco.
O calendário eleitoral fixa 15 de agosto como prazo final para os partidos registrarem candidaturas na Justiça Eleitoral, com envio pelo sistema CANDex. Até lá, os arranjos de chapa, a definição de vice e as composições regionais ainda podem mudar, inclusive no Paraná, onde o desenho da coligação em torno do senador não estava fechado.
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