Empresários relatam telefonemas para retirar assinatura de manifesto
Signatários do texto Pela Lei e pelo Brasil dizem que autoridades de Brasília mencionaram risco em processos judiciais; STF afirma não ter conhecimento
Empresários que assinaram o manifesto "Pela Lei e pelo Brasil", subtitulado como manifesto pela integridade das instituições e dos Três Poderes, relataram ter recebido telefonemas de autoridades de Brasília com pedidos para que retirassem as assinaturas do documento, divulgado em 9 de setembro com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada na terça-feira, 15, e atribuída a relatos colhidos pela Gazeta do Povo e pela CNN Brasil.
Segundo os relatos, as abordagens mencionavam a possibilidade de reabertura de processos judiciais ou de prejuízo no andamento deles caso os signatários mantivessem o apoio ao texto. Nenhum dos empresários que descreveram as ligações foi identificado.
O primeiro relato público veio do comentarista Caio Junqueira, no programa WW, da CNN Brasil. Uma fonte ouvida pela Gazeta do Povo confirmou a descrição em separado.
O manifesto reuniu 157 signatários. Entre os nomes estão Cândido Bracher, ex-presidente do Itaú Unibanco, Luiza Helena Trajano e Frederico Trajano, do Magazine Luiza, Eduardo Bartolomeo, da Vale, e Diego Barreto, presidente do iFood.
O que dizem os citados
Pedro Wongtschowski, ex-presidente da Ultrapar e presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp, um dos articuladores do documento, afirmou não ter conhecimento de episódios desse tipo. Ele disse que as discussões entre o grupo continuaram depois da sessão do STF de terça-feira.
A assessoria do Supremo declarou não ter conhecimento do caso.
O relato não indica quais autoridades teriam feito as ligações nem de qual Poder. Não há registro de representação formal apresentada por nenhum dos signatários até a publicação desta reportagem.
O segundo manifesto do setor privado
O texto de 9 de setembro é a segunda articulação empresarial sobre a crise no Supremo em pouco mais de um mês. No começo de setembro, um grupo de empresários passou a defender a adoção de um código de conduta para os ministros da Corte.
Antes disso, cerca de 3 mil entidades assinaram o manifesto Nação Brasileira, que pediu ao STF sessão pública para tratar das denúncias envolvendo integrantes do tribunal. A Fiesp esteve entre as signatárias.
Os documentos circularam no período em que o Supremo analisa o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o pedido de investigação envolvendo o ministro André Mendonça e o Instituto Iter. O julgamento do primeiro caso começou em 15 de setembro e foi suspenso por pedido de vista.
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