Dino pede a Fachin investigação sobre instituto de Mendonça e o Master
Ministro aponta coincidência de datas entre voto de André Mendonça e contratos do Instituto Iter com o poder público de São Paulo
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, a abertura de investigação sobre possíveis conexões entre o Banco Master, o Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, e contratos firmados com o poder público de São Paulo. O pedido foi apresentado na terça-feira, 15, e revelado pela Gazeta do Povo.
Dino sustenta que há coincidência temporal entre decisões tomadas por Mendonça em processos de interesse do banco liquidado e a celebração de contratos entre o instituto e órgãos paulistas. Segundo o ministro, "a natureza e a convergência temporal desses pontos de contato" justificam a apuração.
O pedido lista três marcos. Em 14 de março de 2025, Mendonça recebeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, em São Paulo. Em abril daquele ano, o ministro proferiu voto em processo sobre medida cautelar. Em 24 de setembro de 2025, o instituto assinou contrato de R$ 380 mil com a Secretaria Municipal de Gestão de São Paulo, para serviços de formação e aperfeiçoamento de agentes públicos.
Dino cita ainda um contrato de R$ 1,63 milhão entre o Instituto Iter e a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada ao governo paulista. No texto encaminhado a Fachin, o ministro afirma que "havia elevados interesses de fundos geridos pelo Banco Master" em matérias ligadas à privatização de cemitérios da capital paulista, tema que chegou ao Supremo.
A ressalva que Dino fez por escrito
O ministro registrou de forma expressa que os fatos narrados não significam que tenha havido interferência externa na atuação judicial de Mendonça. O argumento apresentado é o de que a apuração se impõe pela própria convergência das datas, sem juízo prévio sobre o resultado.
A distinção tem efeito prático. Um pedido de investigação dirigido ao presidente do STF não abre inquérito automaticamente. Cabe a Fachin decidir se encaminha o caso ao plenário, se determina diligências preliminares ou se arquiva a representação. O mesmo caminho foi discutido no julgamento sobre investigar o ministro Alexandre de Moraes, iniciado e suspenso na terça-feira.
O que Mendonça já disse sobre o encontro
Em 2 de setembro de 2026, Mendonça confirmou em entrevista que recebeu Vorcaro em março de 2025. O ministro afirmou na ocasião que mantém a imparcialidade na condução dos casos que envolvem o Banco Master e o INSS, posição que já havia sustentado em agosto.
O Instituto Iter foi criado por Mendonça antes da indicação ao Supremo e atua com formação de agentes públicos e programas educacionais. Até a publicação desta reportagem, nem o gabinete do ministro nem o instituto divulgaram manifestação sobre o pedido de Dino. A Gazeta do Povo informou que o gabinete de Mendonça aguardava retorno sobre o caso.
O pedido chega em meio à disputa interna que se instalou no Supremo desde agosto. Fachin já suspendeu decisões de Mendonça e do próprio Dino sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e separou os julgamentos que envolvem Moraes e Mendonça, marcando para 23 de setembro a análise do segundo caso.
Daniel Vorcaro é apontado como o principal nome na apuração sobre fraudes no Sistema Financeiro Nacional que levaram à liquidação do Banco Master. Na semana passada, Mendonça retirou o sigilo da rede de pagamentos da instituição, decisão que abriu à consulta pública a lista de destinatários de recursos do banco.
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