Política

Ato na Esplanada pede saída de Moraes em dia de sessão no STF

Convocada por Zema, manifestação reuniu Flávio Bolsonaro e candidatos ao Senado enquanto a Corte julgava a abertura de investigação contra o ministro

Manifestantes ligados às campanhas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do senador Flávio Bolsonaro (PL) se reuniram na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça-feira, 15, para pedir a saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo dia em que a Corte começou a julgar se autoriza a abertura de investigação contra ele.

O ato foi convocado por Zema em 10 de setembro, pelo X. Na publicação, o governador chamou a data de "o início do fim dos intocáveis" e marcou a concentração para as 9h. "Não é mais esquerda contra direita. São os brasileiros contra um intocável. E nós precisamos mostrar que o Brasil ainda é nosso", escreveu.

Entre os presentes estavam o próprio Zema, Flávio Bolsonaro, o candidato ao Senado pelo Distrito Federal Sebastião Coelho (Novo), a candidata ao Senado Adriana Ventura (Novo) e Eduardo Girão, candidato a vice na chapa do Novo. As palavras de ordem incluíram "Fora Lula, Fora Moraes" e "chega de intocáveis". Parte dos manifestantes também pedia anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Como ficou a segurança da Praça dos Três Poderes

A Praça dos Três Poderes foi fechada. As manifestações ficaram restritas à área da Esplanada a partir da Avenida José Sarney, delimitada com cones, barreiras e policiamento. A sessão do STF começou às 10h e foi transmitida pela internet.

O esquema seguiu o modelo adotado pela Corte em dias de julgamento de grande repercussão, com afastamento do público da área imediatamente em frente ao prédio do tribunal.

O que o STF decidiu no mesmo dia

Na sessão, o plenário formou placar de 4 a 3 pela manutenção dos processos em tramitação separada, antes de o ministro Flávio Dino pedir vista e suspender a análise. O prazo de vista é de até 90 dias.

O pedido de abertura de investigação tem origem em relatório da Polícia Federal e tramita na Petição 16.662. Moraes é investigado, e não réu: nenhuma acusação formal foi apresentada contra ele até aqui.

A convocação partiu do episódio que está na origem do pedido de investigação: mensagens atribuídas a Moraes em conversas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O relator do caso no STF é o ministro Edson Fachin, presidente da Corte.

O plenário que analisou o tema chegou à sessão desfalcado. Dias Toffoli declarou-se suspeito e Kassio Nunes Marques, impedido, o que reduziu o colegiado e estreitou a margem de maioria em qualquer direção.

O ato ocorreu a 19 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e reuniu candidatos ao Senado, um candidato a vice e dois nomes que disputam a Presidência. A pauta do Supremo entrou no calendário de campanha.

O gabinete de Moraes não divulgou manifestação sobre o ato. O STF também não comentou publicamente a manifestação.

As informações sobre o ato foram divulgadas inicialmente pelo Poder360 e pelo jornal O Tempo, e a convocação de Zema foi publicada pela Gazeta do Povo.

Leia também: Dino pede vista e trava julgamento sobre investigar Moraes.

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