Opinião

A fragmentação da direita é o maior ativo de Lula em 2026

Análise: com dois candidatos competindo pelo voto antigoverno, a conta do primeiro turno se resolve sozinha

Artigo assinado pela Redação Resenhando. Texto de opinião, publicado na editoria Opinião.

Lula lidera as pesquisas de julho e a explicação mais confortável para o campo conservador é atribuir isso a manipulação de instituto ou a viés de imprensa. A explicação mais desconfortável é aritmética: a direita entrou nas convenções com duas candidaturas competitivas para o mesmo eleitorado.

PL homologou Flávio Bolsonaro. PSD homologou Ronaldo Caiado. Os dois disputam voto de quem rejeita o governo federal. Lula disputa sozinho o voto de quem o apoia.

O que a divisão custa antes do segundo turno

Não é o resultado do primeiro turno que importa nessa conta. É o desgaste do caminho. Dois candidatos do mesmo campo gastam tempo de televisão, dinheiro de fundo eleitoral e energia de militância atacando um ao outro, porque é do vizinho que cada um precisa tirar voto para chegar ao segundo turno.

Quem assiste em casa não vê dois projetos de oposição. Vê um campo em briga interna, enquanto o adversário faz campanha de governo.

O fator judicial é real, mas não é alibi

A decisão que proibiu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai alcança o primeiro turno e tira do palanque a principal referência eleitoral da candidatura. Ministros do próprio STF acharam a medida exagerada. É um problema legítimo de igualdade na disputa e merece ser tratado como tal.

Mas atribuir a liderança do governo apenas a isso é conveniente demais. A fragmentação foi decisão de partido, tomada em convenção, sem interferência de tribunal nenhum.

O prazo para corrigir

As convenções terminaram em 5 de agosto. Ajuste ainda é possível até o registro das candidaturas, mas depois disso qualquer acomodação exige renúncia formal, coisa que candidato lançado raramente faz.

Se a oposição quer disputar 2026 e não apenas ocupar espaço nela, essa é a conta que precisa fechar antes de outubro. Reclamar do juiz não substitui somar os próprios votos.

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