Mundo

Socialista vence primária democrata ao Senado na Flórida com 56% dos votos

Deputada estadual derrotou Alex Vindman, que arrecadou mais de US$ 16 milhões, e enfrentará a republicana Ashley Moody em novembro

A deputada estadual Angie Nixon, de 42 anos, venceu nesta terça-feira, 18, a primária democrata para o Senado dos Estados Unidos na Flórida, com 56% dos votos, contra 44% de Alex Vindman, com 99% das seções apuradas. Nixon se define como socialista democrática e cumpre mandato na Câmara estadual da Flórida.

O resultado contrariou a expectativa construída pelo volume de recursos da disputa. Vindman arrecadou mais de US$ 16 milhões na campanha, segundo a Forbes, valor muito superior ao da adversária. A vitória de Nixon foi noticiada pela NBC News e pela rede local Spectrum News 13, que acompanharam a apuração.

Na eleição geral de novembro, Nixon enfrentará a republicana Ashley Moody, que ocupa a cadeira. Moody não foi eleita para o posto: assumiu por indicação no ano passado, depois que Marco Rubio deixou o Senado para assumir a Secretaria de Estado. Quem vencer em novembro cumprirá o tempo restante do mandato de Rubio.

A disputa na Flórida não figura entre as prioridades do Partido Democrata no mapa do Senado. O estado, que já foi decisivo em eleições presidenciais, migrou para o campo republicano na última década. Pesquisa do Emerson College divulgada no primeiro semestre mediu Moody com 47% e Nixon com 36%.

O resultado é o mais recente de uma sequência de vitórias de candidatos à esquerda do diretório nacional em primárias democratas neste ciclo. O padrão que se repete: eleitor do partido insatisfeito com a direção nacional, que avalia a cúpula como incapaz de fazer oposição efetiva ao presidente Donald Trump, e candidato com base sindical ou de movimento social derrotando nome apoiado pelo aparato e por doadores.

Nixon construiu carreira no movimento sindical da Flórida antes de chegar à Câmara estadual, onde representa o distrito 13, na região de Jacksonville. Em declaração citada pela Forbes, ela disse, em tradução livre, que enfrentou "o establishment político" e milhões de dólares em gastos externos, com desvantagem de 16 para 1 em recursos, e venceu.

A vitória foi projetada pela Associated Press com quase a totalidade das cédulas apuradas. Nixon passa agora a disputar em todo o estado, contra uma senadora em exercício e com a estrutura partidária republicana já mobilizada para novembro, em um eleitorado que a campanha primária não alcança.

Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública de Vindman sobre o resultado nem nota do comitê nacional democrata sobre a candidatura.

Para o eleitorado conservador americano, a leitura tem efeito prático em novembro: quanto mais à esquerda o nome democrata, maior a margem projetada para a republicana em um estado que vem ampliando a vantagem do partido em registro de eleitores. Analistas citados na cobertura americana avaliam que a vitória de Nixon afasta ainda mais a cadeira do alcance democrata.

O Senado dos Estados Unidos renova um terço das cadeiras a cada dois anos. A composição definida em novembro determina o ritmo de confirmação de indicações do Executivo, incluindo as de juízes federais, e a margem do governo para aprovar sua pauta legislativa no biênio seguinte.

As casas de apostas americanas precificam a disputa da Flórida como favorável ao Partido Republicano, com probabilidade entre 89,6% e 92% para o partido, conforme levantamento citado pela Forbes. Em uma cadeira que já pertenceu a Rubio, a manutenção republicana é o cenário de referência do mercado.

A Flórida é um dos estados que o Brasil acompanha de perto por outra razão: a Justiça Federal do estado concentra ações que envolvem plataformas americanas e decisões judiciais brasileiras. Foi na Justiça da Flórida que a Advocacia-Geral da União pediu, neste mês, o arquivamento da ação movida por Rumble e Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes.

2 visualizações