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Amorim diz que Escudo das Américas põe o Brasil em 'cerco' e cita 'falso argumento' sobre crime organizado

Assessor de Lula critica a coalizão de Trump que lista PCC e CV; Flávio Bolsonaro prometeu aderir se eleito

Neste texto3 tópicos
  1. O que Amorim disse sobre os Estados Unidos
  2. O que é o Escudo das Américas
  3. O outro lado da disputa eleitoral

O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Escudo das Américas, iniciativa do governo de Donald Trump para o continente, coloca o Brasil em um "cerco". Segundo ele, a coalizão se apoia em um "falso argumento": tratar crime organizado como terrorismo internacional. A declaração foi dada em entrevista à Tutaméia TV, no YouTube, e divulgada neste domingo (11) pelo Poder360.

"Essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em um cerco com base em um argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional", disse Amorim aos jornalistas Eleonora e Rodolfo Lucena.

O que Amorim disse sobre os Estados Unidos

O assessor comparou o momento atual com os governos de George W. Bush (2001-2009) e Barack Obama (2009-2017). Para ele, naquele período "havia um certo respeito" e, mesmo que existisse algum grau de interferência, "não houve uma intervenção ameaçadora" como a que o Brasil enfrenta agora. Amorim chamou a iniciativa de "esquema de dominação absoluta" e afirmou que "o problema deles é a China".

O que é o Escudo das Américas

A coalizão foi criada, segundo o governo Trump, para combater o narcotráfico e o crime organizado no hemisfério. Além dos Estados Unidos, participam Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Brasil não faz parte.

Em setembro, os 15 países do grupo anunciaram ação conjunta contra 24 organizações que classificam como "narcoterroristas transnacionais". Na lista estão duas facções brasileiras, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Já noticiamos o pedido de reunião da OEA sob o Tratado do Rio e a lista dos 24 grupos.

O outro lado da disputa eleitoral

O tema entrou na campanha do segundo turno. Na quarta-feira (7), o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, disse durante uma transmissão com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que pretende incluir o Brasil no Escudo das Américas se for eleito.

"Vou, com muita vontade e com muita honra, querer fazer parte do Escudo das Américas para cooperar com a Colômbia e com todos os demais países que se unirem para combater essas facções narcoterroristas", afirmou Flávio.

As duas falas desenham a divisão que o eleitor terá diante de si em 25 de outubro. De um lado, o governo vê na classificação de facções como terroristas uma brecha para pressão externa. De outro, a oposição defende cooperação internacional contra PCC e CV.

  • Posição do governo (Amorim): o escudo usa um argumento falso e cerca o Brasil;
  • Posição da oposição (Flávio): o Brasil deve aderir para combater facções;
  • Situação hoje: o Brasil está fora da coalizão, que já agiu contra PCC e CV na lista de setembro.

A reportagem original não registra resposta da campanha de Flávio nem do governo dos Estados Unidos às declarações de Amorim.

Informações do Poder360, de 11 de outubro de 2026.