Presidenciável do Democrata propõe imposto único e declara R$ 50 milhões
Wilson Grassi Júnior registrou plano de governo com tributo único sobre transferências financeiras e informou ao TSE patrimônio lançado em uma única linha
O candidato do Democrata à Presidência da República, o veterinário Wilson Grassi Júnior, protocolou na Justiça Eleitoral um plano de governo que propõe substituir a arrecadação federal por um imposto único cobrado automaticamente sobre transferências financeiras. No mesmo registro de candidatura, apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou patrimônio de R$ 50 milhões. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 13, pelo Metrópoles, a partir dos dados públicos do sistema do TSE.
O documento se chama "Brasil em Primeiro Lugar" e organiza as propostas no que o candidato batizou de método D35: desburocratizar, desonerar, digitalizar, democratizar e desenvolver. O eixo tributário é o mais extenso.
Além do imposto único, o plano prevê isenção de Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos e o fim da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento, com o argumento de reduzir o custo da contratação com carteira assinada. O texto não detalha alíquota do tributo único nem estimativa de arrecadação.
O que mais diz o plano
Na educação, a proposta condiciona o apoio financeiro e técnico da União às escolas municipais ao resultado de exames de alfabetização, criando um vínculo entre repasse federal e desempenho aferido.
Na habitação, prevê acesso automático a financiamento imobiliário para inquilinos com histórico comprovado de pagamento de aluguel, com prestação equivalente ao valor que a família já desembolsa por mês.
A ideia de um tributo único sobre movimentação financeira circula no debate brasileiro desde os anos 1990, quando inspirou a CPMF, extinta em 2007. Especialistas em tributação divergem sobre o efeito de um modelo desse tipo na cadeia produtiva, porque a cobrança incide a cada transação e tende a se acumular em setores com muitas etapas de circulação.
Os R$ 50 milhões declarados
No campo de bens do registro, Grassi Júnior informou R$ 50 milhões lançados em uma única rubrica, "outros bens e direitos", sem discriminar imóveis, participações societárias ou aplicações. O formato é permitido pela Justiça Eleitoral, que aceita o preenchimento por categoria. Segundo o Metrópoles, o montante reúne imóveis hipotecados e participações em empresas.
O valor cresceu em ritmo acelerado nas últimas disputas. Em 2022, quando concorreu a deputado federal pelo PV, o candidato declarou R$ 9 milhões. Em 2024, ao disputar uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo pelo PRTB, informou R$ 24,6 milhões. Agora, na disputa presidencial pelo Democrata, chega a R$ 50 milhões. São três siglas em três eleições consecutivas.
Na comparação com os demais presidenciáveis que já registraram candidatura, Grassi Júnior aparece em segundo lugar. À frente está Romeu Zema, com R$ 178,7 milhões. Atrás vêm Eduardo Girão, com R$ 34 milhões, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com R$ 4,8 milhões.
A declaração de bens é de responsabilidade do próprio candidato e reproduz os valores informados à Receita Federal, sem atualização de mercado. Por isso patrimônios declarados costumam divergir do valor real dos ativos, para mais ou para menos.
A reportagem não localizou detalhamento adicional do candidato sobre a composição desse patrimônio. O Democrata oficializou a candidatura em convenção realizada em 2 de agosto, como o Resenhando registrou à época.
O registro ainda passa pela análise do TSE, que verifica documentação, quitação eleitoral e eventuais causas de inelegibilidade antes de deferir ou indeferir a candidatura. Plano de governo e declaração de bens ficam disponíveis para consulta pública no DivulgaCand durante todo o processo.
Os planos de governo entregues no registro não vinculam juridicamente o candidato eleito, mas servem de parâmetro de cobrança e são usados por adversários e por entidades de fiscalização ao longo da campanha.