Vaquinha de Lula soma R$ 50,3 mil e fica a 410 doadores da meta
Financiamento coletivo registrou 891 contribuições, 68,5% do alvo de 1.300 doadores fixado pela campanha
A vaquinha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somava R$ 50.304 na manhã desta quarta-feira, 26, com 891 contribuições registradas. A meta declarada pela campanha é de 1.300 doadores, patamar que ainda está 410 contribuições distante.
Os dados foram divulgados pelo site Poder360. O financiamento coletivo é operado no endereço doadoras.doelula.com.br e leva a marca "Doadoras". As contribuições registradas até a manhã desta quarta variaram de R$ 13 a R$ 1.064 por transação.
Com 891 das 1.300 doações pretendidas, a campanha chegou a 68,5% da meta de doadores. O número de contribuintes é o parâmetro que a própria campanha adotou como referência, e não o valor total arrecadado.
Para reforçar a arrecadação, o Partido dos Trabalhadores mobilizou porta-vozes e disparou mensagens internas a filiados e militantes pedindo mais adesões à plataforma.
O peso da vaquinha no caixa da campanha
O financiamento coletivo responde por uma fração do que a campanha do presidente já tem disponível. Segundo os dados da plataforma de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral, Lula soma R$ 35,17 milhões em recursos declarados, dos quais R$ 35 milhões vieram diretamente do diretório nacional do PT.
Nessa conta, os R$ 50.304 da vaquinha representam cerca de 0,14% do total declarado. A diferença entre as duas fontes é estrutural: o repasse partidário vem do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário, distribuídos conforme a bancada de cada legenda, enquanto a doação de pessoa física depende de adesão individual.
A legislação eleitoral limita a doação de pessoa física a 10% dos rendimentos brutos declarados pelo doador no ano anterior à eleição. As contribuições precisam ser identificadas com CPF e informadas na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral.
O financiamento coletivo em campanha eleitoral está previsto na Lei 9.504/1997, no dispositivo incluído pela reforma de 2017 que autorizou a arrecadação por instituições que operam serviços de vaquinha pela internet. A plataforma precisa ser cadastrada previamente na Justiça Eleitoral, identificar cada doador e repassar os valores à conta bancária específica da campanha, sob as regras da resolução do TSE que disciplina arrecadação e gastos.
Os valores arrecadados por essa via aparecem na prestação de contas ao lado dos recursos partidários, e a Justiça Eleitoral cruza os dados de CPF informados pela plataforma com a base da Receita Federal. Doação acima do limite legal sujeita o doador a multa, e a irregularidade pode alcançar a aprovação das contas do candidato. A movimentação declarada fica disponível para consulta pública no portal de divulgação de candidaturas e contas eleitorais do TSE, atualizado ao longo da campanha.
O que a arrecadação por doador mede
Vaquinhas eleitorais funcionam menos como fonte de receita e mais como indicador de engajamento. O número de doadores é lido por marqueteiros e dirigentes partidários como medida de disposição da base em tirar dinheiro do próprio bolso, um compromisso mais custoso do que curtir uma publicação ou comparecer a um ato.
É por isso que campanhas divulgam metas de doadores, e não de valores. Nikolas Ferreira declarou ao TSE R$ 53,9 mil arrecadados por financiamento coletivo, e o Novo liderou a arrecadação em vaquinhas eleitorais em julho, com R$ 615 mil.
Não há, até esta publicação, manifestação pública do diretório nacional do PT ou da campanha do presidente sobre o ritmo da arrecadação nem sobre a data em que a meta de 1.300 doadores deve ser alcançada.
Todas as vaquinhas eleitorais precisam ser feitas por instituições autorizadas pela Justiça Eleitoral e cadastradas previamente. Os valores arrecadados entram na contabilidade da campanha e ficam sujeitos aos mesmos limites e às mesmas regras de prestação de contas dos demais recursos.
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