Malafaia diz que Flávio perdeu a chance de colocar uma mulher como vice
Pastor elogiou o trabalho do deputado Alfredo Gaspar na CPMI do INSS, mas defendeu o nome da deputada Priscila Costa para a vaga na chapa
O pastor Silas Malafaia, presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a oportunidade de escolher uma mulher para a vice-presidência na chapa que disputa o Planalto em outubro. A declaração foi dada ao jornal O Globo e publicada na quarta-feira, 5 de agosto, no mesmo dia em que o senador anunciou o nome do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vaga.
Gaspar foi relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e ganhou projeção durante os trabalhos da comissão. O anúncio foi feito na manhã de quarta-feira, ao lado de seis mulheres que haviam sido cotadas para a vice, entre elas as deputadas federais Chris Tonietto (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF) e as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS).
Malafaia separou a crítica à decisão do juízo sobre o escolhido. Digo isso com todo respeito e admiração que tenho pelo deputado Alfredo Gaspar, que fez um grande trabalho
, afirmou o pastor ao jornal. O ponto que ele contesta é o cálculo eleitoral: Uma vice mulher agregaria muito mais
.
O nome defendido por ele é o da deputada federal Priscila Costa (PL-CE). Acredito que a Priscila Costa iria agregar muito se fosse escolhida. É mulher, tem um trabalho espetacular, sabe falar e é nordestina
, disse Malafaia. A parlamentar é do mesmo partido do candidato, o que manteria a chapa formada apenas pelo PL, desenho que também se preserva com Gaspar.
O que a crítica expõe na base de apoio
Malafaia é uma das vozes com maior circulação no eleitorado evangélico e atuou na articulação da candidatura desde a definição do nome de Flávio Bolsonaro. A crítica não parte de um adversário, e sim de dentro do próprio bloco de apoio.
A discussão gira em torno de dois públicos em que a candidatura tem espaço a ocupar. O primeiro é o feminino, no qual pesquisas de intenção de voto vêm registrando desempenho inferior ao masculino para o campo bolsonarista. O segundo é o Nordeste, região em que o adversário mantém vantagem histórica. Priscila Costa reúne os dois atributos apontados pelo pastor.
A presença das seis mulheres cotadas no anúncio da chapa indicou que a campanha tinha ciência do tema antes da decisão. A escolha, ainda assim, recaiu sobre o deputado alagoano, com a justificativa apresentada pelo senador de que pesou a trajetória de Gaspar na área criminal e na comissão que investigou os descontos em benefícios do INSS.
Priscila Costa é deputada federal pelo Ceará e integra a bancada do PL na Câmara. O Nordeste concentra a maior fatia do eleitorado fora do Sudeste, o que faz de qualquer nome da região um ativo em disputa nacional. Foi esse cálculo que o pastor colocou na mesa ao comentar a escolha.
Como fica a chapa
Nem a campanha de Flávio Bolsonaro nem Alfredo Gaspar se manifestaram publicamente sobre a declaração do pastor até esta sexta-feira, 7 de agosto.
A chapa ainda depende de registro na Justiça Eleitoral, etapa que formaliza os nomes e permite a checagem das condições de elegibilidade. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 16 de agosto.
Enquanto o registro não é concluído, o desenho da coligação segue em negociação com outros partidos, movimento que se repete nas demais candidaturas presidenciais. A composição define o tempo de propaganda e a distribuição de recursos do fundo eleitoral entre as legendas.
O PL oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro em convenção, e a definição do vice era a última peça pendente do arranjo interno. Com o nome de Gaspar anunciado, a campanha entra na fase de fechamento de apoios estaduais, etapa em que os palanques regionais são costurados com governadores e candidatos ao Senado.
Leia também: quem é Alfredo Gaspar, o relator da CPMI do INSS escolhido para a vice.