Eleições 2026

Quem é Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS e vice na chapa de Flávio

Deputado do PL-AL passou 24 anos no Ministério Público de Alagoas e pediu o indiciamento de 216 pessoas no caso dos descontos em aposentadorias

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado na quarta-feira, 5, como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O nome que chega à disputa nacional foi construído em duas frentes: 24 anos de Ministério Público em Alagoas e a relatoria da CPMI do INSS, comissão que investigou os descontos irregulares em aposentadorias e pensões.

Gaspar deixou o União Brasil em 2026, filiou-se ao PL e assumiu o comando estadual do partido em Alagoas. Antes disso, foi eleito deputado federal em 2022 pelo União Brasil, com 102.039 votos, o segundo mais votado do estado.

Da promotoria à Segurança Pública

No Ministério Público de Alagoas, Gaspar atuou em estruturas de combate ao crime organizado, chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça e presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC). Deixou a instituição em 2020.

No mesmo ano, disputou a Prefeitura de Maceió pelo MDB e chegou ao segundo turno. Depois, comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas antes de se eleger para a Câmara dos Deputados.

O relatório da CPMI do INSS

A projeção nacional veio com a relatoria da comissão parlamentar mista de inquérito que apurou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.

Com mais de 4 mil páginas, o relatório de Gaspar concluiu haver núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político na movimentação dos recursos e pediu o indiciamento de 216 pessoas. Entre os citados estavam o empresário Fabio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

O parecer foi rejeitado por 19 votos a 12, na madrugada de 28 de março, último dia de funcionamento da comissão. O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou os trabalhos sem levar a voto o relatório alternativo apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A CPMI terminou os 180 dias sem relatório final aprovado.

A rejeição do parecer não anula o material produzido pela comissão. Os documentos, depoimentos e quebras de sigilo autorizadas ao longo dos trabalhos seguem à disposição dos órgãos de investigação, e o relatório rejeitado pode ser encaminhado por parlamentares, individualmente, à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal. Foi esse acervo que manteve o tema no noticiário depois do encerramento da CPMI.

O que a escolha significa para a chapa

A composição soma ao candidato do PL um nome com trajetória em segurança pública e no Ministério Público, em um ciclo eleitoral no qual segurança e combate à corrupção estão entre os temas mais citados nas pesquisas. Gaspar também dá à chapa presença no Nordeste, região onde o PT tem historicamente seus melhores desempenhos.

Procurados, os citados no relatório da CPMI negaram irregularidades ao longo dos trabalhos da comissão. As convenções partidárias que oficializam as candidaturas presidenciais ocorrem dentro do calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de outubro.

Leia também: Quaest: 55% dizem que o país vai na direção errada.

3 visualizações