Quaest: 55% dizem que o país vai na direção errada
Pessimismo cresce quatro pontos em um mês, enquanto a aprovação do terceiro mandato de Lula fica estável em 48%
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 5, aponta que 55% dos brasileiros acreditam que o país segue na direção errada no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em julho, esse índice era de 51%. Os que veem o país na direção certa somam 38%, ante 39% no mês anterior.
A parcela que não soube responder caiu de 10% para 7%, o que indica migração de indecisos para a avaliação negativa. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios entre 31 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é o BR-06591/2026.
A aprovação do governo ficou estável: 48% aprovam a gestão e 47% desaprovam, exatamente o mesmo apurado um mês antes. Na avaliação por conceito, 36% consideram o governo ótimo ou bom, 26% o classificam como regular e 36% o avaliam como ruim ou péssimo.
O que diz a pesquisa sobre o tarifaço
O levantamento também mediu a percepção sobre a resposta do governo ao novo tarifaço dos Estados Unidos. Agora, 43% afirmam que Lula reagiu mal à medida americana e 38% avaliam que a resposta foi boa.
O quadro se inverteu em três meses. Em maio, 39% consideravam acertada a reação do governo, sustentada no discurso de defesa da soberania nacional. A leitura de agosto mostra o argumento perdendo tração à medida que os efeitos comerciais chegam a setores exportadores.
O tarifaço americano voltou ao centro do debate econômico depois da nova rodada de sobretaxas sobre produtos brasileiros, que atinge cadeias exportadoras e pressiona setores com margem estreita. A tensão diplomática entre Brasília e Washington também se manifestou na revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.
Os dois indicadores caminham em direções distintas. A aprovação nominal do governo não se moveu, enquanto a percepção sobre o rumo do país piorou. Institutos costumam tratar a pergunta sobre direção do país como termômetro antecedente, por captar humor econômico antes que ele apareça na avaliação do ocupante do cargo.
Como fica o quadro a dois meses do primeiro turno
A distância de menos de dois meses para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, dá peso adicional ao indicador. Historicamente, campanhas de oposição exploram a percepção de rumo errado, enquanto a situação se apoia na aprovação nominal e nos números de emprego e renda.
O resultado se soma a outras medições do período. A Quaest divulgou na mesma leva cenários de primeiro e segundo turno para a disputa presidencial, com Lula à frente dos adversários testados.
A pergunta sobre a direção do país é usada por institutos desde os anos 1990 e mede humor difuso, não intenção de voto. Serve para captar a disposição do eleitorado a aceitar mudança, e costuma responder mais rápido a preço de alimento, juros e emprego do que a fatos da agenda política.
Pesquisas registradas no TSE precisam informar contratante, valor, metodologia, plano amostral e período de campo. O registro permite conferir o desenho da amostra e comparar séries do mesmo instituto, procedimento que reduz a distorção de leitura entre levantamentos de institutos diferentes.
A reportagem não obteve manifestação do Palácio do Planalto sobre os números do levantamento. A margem de erro de 2 pontos significa que a variação de 51% para 55% na percepção de rumo errado está no limite da oscilação estatística.
Os dados foram divulgados inicialmente pela Quaest e repercutidos pela imprensa nacional, entre eles a Gazeta do Povo.