Eleições 2026

MPT-RJ apura carta do Zona Sul a funcionários que defende 'voto consciente' às vésperas do 2º turno

Texto assinado pelo presidente da rede não cita candidato; sindicato dos comerciários foi à Justiça e a empresa não se manifestou.

O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) abriu apuração sobre uma carta que a rede Supermercados Zona Sul enviou a seus funcionários às vésperas do segundo turno da eleição, marcado para este domingo, 25. O órgão informou na sexta-feira, 23, que registrou uma Notícia de Fato, procedimento preliminar para verificar se há irregularidade, segundo a Agência Brasil. O caso foi noticiado também por O Globo e pelo g1.

A carta é assinada pelo presidente da empresa e defende o "voto consciente" e a mudança. Conforme a Agência Brasil, o texto não cita nominalmente nenhum candidato, mas fala em revisão de prioridades, posturas e modelos. As reportagens das demais redações reproduzem trechos como "esgotamento de ciclo" e "chegou a hora de mudar".

Quem levou o caso adiante

A denúncia partiu do vereador carioca Rick Azevedo (Psol), eleito deputado federal. Ele afirmou que a rede distribuiu aos empregados uma carta em defesa do "voto consciente" e que o texto fala em necessidade de mudança.

O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro também foi à Justiça contra a empresa. Em nota, a entidade disse que, ao usar a posição de empregador para espalhar esse tipo de mensagem entre os trabalhadores, a rede "ultrapassa uma linha que precisa ser respeitada". O sindicato acrescentou: "Patrão nenhum é dono da consciência política de seus funcionários. Nem pode coagir". A nota cita ainda a escala 6x1, que a entidade associa aos interesses dos trabalhadores na disputa.

O que o caso coloca em discussão

A carta não pede voto em ninguém pelo nome, e esse é o ponto central da discussão. De um lado, estão a liberdade de expressão do empresário e o direito de opinar sobre os rumos do país. De outro, a relação de subordinação: o empregado que recebe um comunicado do presidente da empresa na véspera da votação pode sentir pressão, mesmo sem ameaça explícita. Cabe ao MPT dizer, ao fim da apuração, se houve ou não coação.

A Notícia de Fato é a fase inicial. Ela pode ser arquivada, se não houver indício de irregularidade, ou virar inquérito civil, com pedido de documentos e, se for o caso, convite a um acordo. Nenhuma dessas etapas foi anunciada até a publicação.

A Agência Brasil informou que não conseguiu contato com a direção do Zona Sul e que o espaço segue aberto para manifestação. O Resenhando também não localizou nota da empresa até a publicação desta matéria e atualizará o texto se ela se pronunciar.

O episódio entra na lista de conflitos de última hora da campanha, que inclui a disputa no TSE sobre o canal "Exército do Lula" e o protesto da campanha de Lula contra o impulsionamento de um vídeo. O dia da eleição é domingo, e o MPT-RJ ainda não informou prazo para decidir.