Lula abre campanha na Vila Euclides com Alckmin e sete partidos
Ato começou às 9h no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo; presidente chegou de helicóptero da FAB, com custo a ser ressarcido pelo partido
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu neste domingo, 16 de agosto, a campanha à reeleição em ato no Estádio Municipal 1º de Maio, conhecido como Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). O evento começou às 9h, primeiro dia em que a legislação eleitoral permite atos de campanha, e teve a chapa formada com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição.
O palco foi montado no meio do gramado, formato que reproduz as assembleias dos metalúrgicos do ABC do fim dos anos 1970, quando Lula era presidente do sindicato da categoria. O PT trabalhava com expectativa de reunir cerca de 20 mil pessoas e organizou caravanas de militantes e de movimentos sociais de várias regiões do país. O partido aproveitou o ato para gravar imagens da propaganda eleitoral e apresentar o jingle da campanha.
O slogan escolhido para a disputa é "O Brasil pronto para mais", e o conceito de comunicação do lançamento foi "onde tudo começou". A chapa chega ao início da campanha com o apoio formal de sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.
No palanque, Alckmin tratou da indústria. O vice-presidente citou a instalação de montadoras como GWM e BYD e a operação da General Motors no país, e atribuiu o movimento a acordos comerciais, entre eles o do Mercosul com a União Europeia, e ao programa Nova Indústria Brasil. Ele afirmou ainda que o governo defende a soberania nacional e o Pix. Ao se dirigir ao público, confundiu o nome do estádio com o da Vila Belmiro, em Santos.
Na véspera, no sábado (15), o presidente esteve no estádio para acompanhar a montagem da estrutura e foi fotografado com a equipe de produção que trabalhava no palco e na iluminação. As imagens foram divulgadas pelos canais oficiais dele.
Como o presidente chegou ao ato
Lula foi ao evento de helicóptero, acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, segundo registro publicado pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, na manhã deste domingo. Como presidente da República, ele tem direito a usar aeronaves da Força Aérea Brasileira por razões de segurança, inclusive em compromissos privados de campanha. Nesses casos, os custos do deslocamento devem ser ressarcidos posteriormente pelo partido. O valor da viagem não foi divulgado.
A prestação de contas do uso de estrutura oficial em atos eleitorais é acompanhada pela Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral não se manifestou sobre o deslocamento até a publicação desta reportagem.
O outro lado da largada
No mesmo domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, para o primeiro ato da campanha presidencial, com o slogan "O Brasil vai vencer". A agenda dos dois candidatos no primeiro dia permitido para campanha seguiu a mesma lógica: cada um em um território de base consolidada.
A data não foi escolhida por acaso pelos dois. A Lei 9.504/1997, com a redação dada pela minirreforma de 2015, fixa em 16 de agosto o início do período em que a propaganda eleitoral é permitida, incluindo comício, carreata, distribuição de material impresso e pedido explícito de voto. Antes disso, atos com pedido de voto expõem os candidatos a representação por propaganda antecipada.
Lula tem 80 anos e disputa a sétima eleição presidencial. Foi eleito em 2002, 2006 e 2022. O estádio escolhido para a largada é o mesmo onde ele discursou como sindicalista durante a greve dos metalúrgicos de 1979, movimento que antecedeu a fundação do PT e da Central Única dos Trabalhadores.
O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro de 2026.
Leia também: a mobilização do PT para o ato na Vila Euclides.