Eleitorado chega a 158,7 milhoes e o Sudeste recua 0,56%
Norte tem o maior crescimento do pais, de 4,37%, e as prioridades apontadas pelo eleitor mudam de uma regiao para outra
O eleitorado apto a votar em 4 de outubro chegou a 158,7 milhões de pessoas, um crescimento de 1,46% em relação a 2022, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. O aumento, porém, não foi distribuído de forma uniforme pelo país, e é essa diferença que ajuda a explicar por que a campanha presidencial trata de segurança pública no Sudeste e de custo de vida no Sul.
A região Norte teve a maior expansão do eleitorado, de 4,37%, e responde por 7,5% do total nacional. O Sudeste, que concentra 42% dos eleitores do país, foi na direção oposta e recuou 0,56%. A análise foi publicada pela Agência Senado em 21 de agosto.
O que cada região cobra
Pesquisa do Instituto DataSenado, realizada em junho de 2024, mostrou a saúde como a principal preocupação nacional, seguida por custo de vida, corrupção e segurança. O recorte regional muda a ordem.
- Norte: saúde é apontada como prioridade por 31%, e emprego registra o maior índice do país entre as regiões, com 13% das menções.
- Nordeste: segurança e saúde aparecem empatadas, com 22% cada.
- Sul e Centro-Oeste: custo de vida e corrupção atingem os maiores percentuais do país, com 19% das menções cada.
Levantamento mais recente, do PoderData em parceria com a Aya, feito entre 9 e 12 de agosto deste ano, colocou a segurança pública no topo da lista de prioridades, com saúde e educação em seguida. A troca de posição entre as duas pesquisas separa dois anos e uma mudança de agenda.
As duas pesquisas não são comparáveis ponto a ponto. A do DataSenado é de junho de 2024, feita fora de período eleitoral, e a do PoderData com a Aya foi a campo em plena pré-campanha, dois meses antes do pleito. A distância entre elas é parte da explicação para a troca de posição entre saúde e segurança no topo da lista.
A leitura da consultoria do Senado
Para o consultor legislativo Caetano Araújo, do Núcleo de Direito do Estado do Senado, a distribuição do eleitorado inviabiliza estratégia de concentração regional. "Não é plausível que os candidatos competitivos venham a optar pela estratégia da concentração em determinados estados", afirmou.
Araújo sustenta que as agendas regionais convergem mais do que divergem. "As semelhanças na pauta de interesses verificada nos diferentes estados parecem ser mais relevantes que as diferenças entre eles", disse.
O consultor aponta ainda um descompasso na representação. "Nossa Câmara dos Deputados reflete a distribuição da população dos anos 1980", afirmou, em referência aos limites de 8 e 70 cadeiras por unidade da Federação, que congelaram a proporção entre bancadas mesmo com a mudança demográfica das décadas seguintes.
A composição etária reforça o efeito. Eleitores com 60 anos ou mais representam 23% do total nacional, segundo levantamento do Nexus com dados do TSE. No Nordeste, 15% da população tem 60 anos ou mais e 21% tem até 14 anos, conforme o IBGE. No Norte, cerca de 25% da população tinha até 14 anos no Censo de 2022.
Os dois recortes aparecem nas respostas às pesquisas: nas regiões com população mais velha, saúde tem o maior índice de menções; nas mais jovens, emprego sobe na lista. O voto é facultativo a partir dos 70 anos, o que significa que parte desse eleitorado de 23% decide se comparece.
A concentração de 42% do eleitorado em uma única região impõe um limite prático a qualquer estratégia regional. Mesmo com o recuo de 0,56% desde 2022, o Sudeste segue como o maior bloco de votos do país, o que mantém São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro no roteiro obrigatório dos candidatos competitivos, qualquer que seja a agenda que puxe voto no restante do país.
O Norte se move na direção oposta em ritmo e em tamanho. Crescimento de 4,37% é o maior do país, mas incide sobre 7,5% do eleitorado nacional, base pequena demais para compensar oscilação no Sudeste. É a assimetria que sustenta o argumento de Araújo contra a concentração de campanha.
A eleição é em 4 de outubro, com segundo turno previsto para os cargos majoritários que não tiverem maioria absoluta no primeiro.
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